A Praia da Guarda do Embaú, um dos destinos favoritos dos surfistas em Santa Catarina, esconde uma peculiaridade que desorienta até os locais. O Rio da Madre, que corta a região, divide o bairro homônimo da orla marítima, que pertencem a municípios distintos na Grande Florianópolis.
De acordo com a legislação estadual, a faixa de areia é território do município de Paulo Lopes. Já a área urbana, chamada de bairro Guarda do Embaú, está sob jurisdição de Palhoça. A separação foi oficializada em 1961, quando a Lei Estadual nº 798 estabeleceu os limites municipais e adotou o rio como marco natural.
A praia fica encravada no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e ostenta o título de nona Reserva Mundial de Surf, sendo a primeira do Brasil a receber esse reconhecimento. O acesso ao mar exige atravessar o Rio da Madre, seja a nado ou caminhando quando a maré está baixa, ou ainda de barco com os condutores que aguardam os visitantes na margem.
A cerca de 46 quilômetros da capital catarinense, o bairro abriga aproximadamente mil moradores, incluindo pescadores, comerciantes e surfistas, que consideram o local um celeiro do surfe nacional. Apesar do movimento turístico intenso no verão, a região mantém um clima tranquilo, com bares e restaurantes, mas sem a agitação de festas noturnas.
O próprio rio, que serve como fronteira, também é um atrativo para quem prefere evitar a travessia. Suas águas são mais quentes e calmas em comparação ao mar, mas é fundamental atenção à correnteza e à circulação de embarcações maiores, que demandam cuidado dos banhistas.
Em relação à qualidade das águas, a praia apresentou problemas em 2025, quando relatórios do Instituto do Meio Ambiente (IMA) apontaram trechos impróprios para banho em pelo menos dois períodos. No entanto, até julho de 2026, tanto a praia quanto o rio tiveram condições consideradas adequadas pelos órgãos de monitoramento.
A origem do nome Guarda do Embaú carrega histórias e lendas locais. Uma delas conta que piratas europeus costumavam enterrar baús de tesouros naquela costa após naufrágios na região, o que teria dado origem ao termo “guarda” como referência a esse costume de vigiar os esconderijos.
A palavra “embaú”, por sua vez, deriva do tupi-guarani e possui múltiplos sentidos: “o beber da bica”, “a última aguada” ou mesmo “comida e bebida”. Esses nomes refletem a importância do local como ponto de abastecimento de água doce para os povos indígenas que habitavam o litoral catarinense.
A peculiar divisão geográfica e a riqueza de histórias tornam a Guarda do Embaú um destino singular, unindo belezas naturais, cultura e um curioso arranjo político-administrativo que desperta a curiosidade de quem visita a região.
Fonte: NSC Total


























