O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reagiu com dureza ao anúncio do ditador Daniel Ortega de que a Nicarágua não realizará mais eleições. Em comunicado oficial, Rubio classificou a medida como prova do medo e da covardia do regime em relação ao povo nicaraguense.
Rubio deixou claro que o governo do presidente Donald Trump e a comunidade internacional não ficarão omissos diante do crescimento da repressão no país centro-americano. A declaração foi feita após Ortega afirmar que não permitirá que legendas de oposição voltem a disputar o poder.
No cargo desde 2007, Ortega anunciou publicamente que encerrará qualquer possibilidade de alternância no comando do Estado. Ele acusou os partidos adversários de serem financiados pelos Estados Unidos e de representarem interesses contrários à revolução sandinista.
O ditador usou discursos inflamados para justificar a decisão. Disse que os dias de governos apoiados pelos norte-americanos e pelos antigos somozistas jamais retornarão. Para ele, o povo nicaraguense não precisa mais passar por processos eleitorais que deem chance aos inimigos do regime.
O último pleito em que os nicaraguenses puderam se manifestar nas urnas foi em 2021, em uma eleição marcada pela prisão de lideranças da oposição. Na ocasião, candidatos foram detidos e partidos foram impedidos de participar, o que gerou críticas internacionais.
Ortega, que comanda a Nicarágua há quase duas décadas, não enfrentará mais o crivo das urnas. Em 2024, o mandato dele foi ampliado para seis anos após reformas constitucionais que também elevaram sua esposa, Rosario Murillo, ao cargo de copresidente, consolidando um regime cada vez mais personalista.
A transformação da Nicarágua em uma ditadura remonta aos anos 1980, quando Ortega liderou a Revolução Sandinista, que derrubou a dinastia Somoza. Ele assumiu como coordenador de uma junta de governo e foi eleito presidente em 1984, permanecendo até perder para Violeta Chamorro em 1995.
O retorno ao poder veio em 2007, e desde então Ortega não saiu mais. Especialistas apontam que a democracia nicaraguense não foi destruída por tanques ou invasões militares, mas sim por meio de eleições e discursos populistas que gradualmente eliminaram as liberdades civis.
A Brasil Paralelo produziu o documentário “Nicarágua: Liberdade Exilada”, que investiga em detalhes como ocorreu esse processo de erosão democrática. O material está disponível gratuitamente no canal da Brasil Paralelo e pode ser acessado por quem deseja compreender as consequências desse regime para o país e para a região.
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Fonte: Brasil Paralelo Notícias
























