A meta de universalizar o saneamento básico no Brasil é um dos principais desafios de infraestrutura para os próximos anos. O Marco Legal do Saneamento, instituído em 2020, estabelece que até 2033, 99% da população tenha acesso a água potável e 90% a serviços de coleta e tratamento de esgoto. Para atingir esses objetivos, será necessário expandir a cobertura, modernizar as redes, reduzir desperdícios e adaptar os sistemas aos efeitos das mudanças climáticas.
Os números revelam a magnitude do problema. De acordo com o Instituto Trata Brasil, em 2024, 39,5% da água tratada no país se perdeu durante a distribuição, o que equivale a aproximadamente 7 bilhões de metros cúbicos desperdiçados por ano. Além disso, 33 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água potável, e cerca de 60% das redes de distribuição estão em operação há mais de três décadas.
Santa Catarina acompanha esse cenário nacional. Embora tenha registrado avanços nas últimas décadas, o estado precisa ampliar a cobertura dos serviços, aumentar a eficiência operacional e preparar sua infraestrutura para uma demanda crescente por segurança hídrica. Investimentos, planejamento e inovação tecnológica são considerados essenciais para acelerar esse progresso.
A tecnologia tem se tornado um recurso cada vez mais estratégico para o setor. Soluções digitais permitem monitorar as redes em tempo real, identificar perdas com maior precisão, antecipar falhas e otimizar a gestão dos sistemas. Uma das empresas que atua nesse segmento é a multinacional Veolia, presente em mais de 50 países e com mais de 170 anos de experiência em gestão de água, resíduos e energia.
Em Santa Catarina, a Veolia opera desde 2002 na gestão e valorização de resíduos. Nos últimos anos, a empresa expandiu sua atuação com tecnologias voltadas ao saneamento e à transformação digital. No âmbito nacional, oferece soluções que auxiliam concessionárias na modernização da gestão da água, na redução de perdas e no aumento da eficiência dos sistemas de abastecimento.
Uma das soluções é o Sansys Water, plataforma desenvolvida pela catarinense J-Tech, incorporada ao grupo Veolia em 2018. A ferramenta integra informações de todas as etapas do ciclo da água em um único ambiente digital. De acordo com a empresa, o sistema já está presente em mais de 150 municípios brasileiros, monitorando cerca de 3,5 milhões de consumidores. Ele reúne dados operacionais e comerciais em tempo real, permitindo identificar consumos atípicos, combater fraudes, acompanhar indicadores regulatórios e embasar decisões com maior precisão.
Outra tecnologia é o He-Tracer, desenvolvido para localizar vazamentos subterrâneos sem interromper o abastecimento. O sistema utiliza gás hélio, inerte e naturalmente presente na atmosfera, que percorre as tubulações e permite identificar pontos de perda com alta precisão. Segundo a empresa, a solução alcança cerca de 98% de efetividade e já é aplicada em operações no Brasil, Chile, França e Espanha.
O portfólio também inclui recursos de geofísica, como georradar, magnetômetros, perfilômetros eletromagnéticos e drones multiespectrais. Esses equipamentos são usados para mapear tubulações subterrâneas sem necessidade de escavações. O diagnóstico reduz impactos durante as obras, aumenta a segurança das intervenções e contribui para um planejamento mais preciso da manutenção das redes.
A redução de perdas é um dos principais benefícios dessas tecnologias. Cada litro de água preservado diminui a necessidade de captação nos mananciais, reduz o consumo de energia usado no bombeamento e tratamento e amplia a capacidade dos sistemas para atender novas áreas. De acordo com a Veolia, a combinação entre monitoramento digital, detecção de vazamentos, gestão de pressão e manutenção preventiva já possibilitou reduzir perdas entre 15% e 25% em diferentes operações.
A digitalização da operação, a manutenção preventiva e o monitoramento contínuo das redes vêm ganhando espaço entre as estratégias do setor para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento. Ao lado da expansão da infraestrutura, essas iniciativas contribuem para tornar os serviços mais eficientes e ampliar o acesso da população ao abastecimento de água e ao esgotamento sanitário.
A adaptação às mudanças climáticas também integra esse processo. Soluções como reúso de água, aproveitamento de águas pluviais, dessalinização, valorização de resíduos, geração de energia a partir do biogás e tecnologias baseadas na natureza fortalecem a segurança hídrica e ajudam a preparar os sistemas para períodos de estiagem e eventos climáticos extremos.
Gustavo Lara, gerente-executivo de Desenvolvimento de Negócios de Águas e Saneamento da Veolia Brasil, ressalta que alcançar as metas do Marco Legal depende da combinação entre expansão da infraestrutura, eficiência operacional e inovação. “Não é apenas sobre expandir a cobertura. É preciso reduzir perdas, aumentar a eficiência dos sistemas e fortalecer a resiliência hídrica. A tecnologia tem papel importante para acelerar esse processo e apoiar estados como Santa Catarina no cumprimento das metas previstas para 2033.”
Para mais informações sobre a Veolia, acesse o site oficial e as redes sociais da empresa.
Fonte: ND+


























