EDUCAÇÃOSeminário capacita professores para lidar com violência de gênero nas escolas

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A Comissão de Direitos Humanos e Família da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em colaboração com a Escola do Legislativo, realiza nesta sexta-feira (26) o seminário “Dialogando pela Paz: Construindo relações de respeito e comunidades de cuidado no contexto escolar”. O objetivo principal é capacitar docentes e servidores da rede de ensino para identificar, prevenir e lidar com situações de violência de gênero dentro das escolas.

O deputado Marquito (Psol), idealizador do evento, justificou a iniciativa citando a edição mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revela altos índices de violência contra a mulher em Santa Catarina. A publicação, produzida pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, compila e analisa dados oficiais de todos os estados sobre criminalidade, atuação policial, sistema prisional e investimentos na área. Para o parlamentar, o combate à violência de gênero deve ser uma prioridade também nas escolas. “Mudar essa realidade, não normalizar a misoginia e garantir uma sociedade que progride na defesa das mulheres é um compromisso não somente individual, nem somente político. Precisa ser um compromisso assumido coletivamente pela nossa comunidade, e o ambiente escolar é fundamental para essas construções”, afirmou em vídeo.

O promotor de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina, Marcelo Brito de Araújo, compartilhou a mesma perspectiva, defendendo que instruir crianças sobre o tema é a melhor estratégia para combater a violência de gênero. Ele enfatizou a importância da capacitação dos profissionais da educação. “Precisamos preparar os professores para que possam orientar nossos estudantes e ajudá-los a enxergar o outro e a sociedade de uma maneira diferente. A escola é o melhor espaço para formar essas crianças e adolescentes e, consequentemente, nossos docentes precisam estar preparados para abordar esse tema com seriedade, mas também de uma forma que dialogue com a realidade e a linguagem deles”, declarou.

Felipe José Schmidt, coordenador do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Direitos Humanos do IFSC, argumentou que a formação dos profissionais da educação contribui para desconstruir preconceitos e criar um ambiente escolar mais seguro e acolhedor. “A formação continuada é um dos principais instrumentos para sensibilizar todos os profissionais envolvidos nos processos educativos. A escola é um espaço de proteção, cuidado e segurança para quem chega até nós e para quem convive nesse ambiente. Por isso, o maior ganho desse processo é promover a desconstrução de conceitos e sensibilizar as pessoas para as transformações e os desafios da sociedade”, disse.

Na parte da manhã, o psicólogo Ítalo Oliveira ministrou a palestra “Construindo relações de respeito e comunidades de cuidado no contexto escolar”. Ele abordou os principais tipos de violência contra as mulheres, como desigualdade de poder, discriminação, misoginia e violência física, além de destacar a relação dos adolescentes com a masculinidade e o papel das redes sociais na propagação do ódio. Oliveira, que também é policial civil especializado em violência doméstica, sugeriu que os educadores atuem preventivamente. “O que a gente quer é prevenir a violência de gênero no ambiente escolar. Por isso, estamos propondo diversos métodos para isso, que envolvem a utilização de jogos lúdicos e também o trabalho com metodologias psicorreflexivas e participativas”, explicou. Ele orientou que casos de agressão identificados sejam reportados a delegacias especializadas, centros de referência de atendimento à mulher e ao Ministério Público, para investigação e eventual responsabilização criminal.

Fonte: Assembleia SC

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