LITERATURATrilogia ‘Legado de uma Bruxa’ chega ao último volume com história e fantasia

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A escritora catarinense Adriana Martins Tijs lança o livro Legado de uma Bruxa – Desfecho, terceiro e último volume da trilogia que combina fantasia, eventos históricos e memória cultural. A obra segue a trajetória de Lilou, uma jovem bruxa francesa cuja história atravessa séculos e diferentes períodos da humanidade.

A saga começou em 2023 e, segundo a autora, foi criada com o intuito de preservar a memória e a cultura catarinense. O primeiro volume aborda a história de Florianópolis, enquanto o segundo retrata a tradição oral indígena da região continental da Capital. No terceiro livro, a narrativa ganha novos contornos ao iniciar na França do século 16. A protagonista convive com o filósofo iluminista Voltaire e, após a morte do pensador, segue para o Brasil, onde acompanha acontecimentos marcantes da história catarinense.

“Esse terceiro livro tem uma dinâmica diferente. Ele começa na França e a personagem vive com Voltaire. Depois, com a morte dele, ela parte para o Brasil e acompanha a emancipação política da região logo após a Revolução Federalista”, explica Adriana. Ao longo da trama, fatos históricos e elementos ficcionais se entrelaçam em episódios como a Revolução Federalista, a emancipação política de municípios catarinenses e o surgimento oficial de Palhoça.

Um dos destaques da obra é a homenagem à educadora, jornalista e primeira mulher negra deputada estadual do Brasil, Antonieta de Barros. Na ficção, uma das bruxas participa de seu nascimento, estabelecendo uma conexão simbólica entre a personagem histórica e o universo fantástico criado pela autora. “Uma das minhas bruxas faz o parto de Antonieta de Barros. Assim, consigo contemplar a história dela, falar sobre todo o seu trabalho como primeira mulher negra deputada estadual e sobre sua contribuição para a instituição do Dia do Professor”, destaca.

O romance também homenageia importantes nomes da cultura brasileira, como Candido Portinari, reforçando o compromisso da autora com a preservação da memória e da identidade cultural catarinense. “Eu percebi que nossa cultura estava se perdendo. Então, Legado de uma Bruxa surgiu para manter viva a cultura açoriana e a cultura do nosso Estado”, afirma.

Para construir a narrativa, Adriana realiza extensa pesquisa histórica, contando com o apoio de historiadores, acadêmicos e acervos documentais. “As pesquisas são feitas com a ajuda de amigos historiadores, por meio de jornais antigos e do acervo das bibliotecas. As informações vão chegando e eu busco confirmar a veracidade de cada uma delas”, relata. Embora o terceiro volume encerre o ciclo dedicado à Grande Florianópolis, a escritora já trabalha nos próximos livros da série. “Este livro encerra a parte da Grande Florianópolis. O quarto, Legado de uma Bruxa – Dormentes, vai contar a história de Criciúma, das minas de carvão e da imigração italiana”, adianta.

A inclusão social também é uma característica presente em toda a obra da autora. Cada livro traz personagens inspirados em pessoas reais e aborda diferentes temas, como Alzheimer, deficiência visual, depressão, lúpus, síndrome de Down e autismo. Natural de Florianópolis, Adriana Martins Tijs escreve desde os 12 anos e possui uma produção literária que transita entre poesia, romance e cordel. Atualmente, além de vice-presidente da Academia de Letras de Palhoça, também integra outras instituições literárias catarinenses.

A inspiração para a série surgiu de um sonho envolvendo sua avó, durante o período da Inquisição. “Eu sonhei que minha avó era uma bruxa na época da Inquisição. Guardei esse sonho por algum tempo e depois resolvi transformá-lo em livro. A saga é uma homenagem à minha avó e também à minha própria árvore genealógica, que aparece ficcionalizada ao longo das histórias”, revela. Com elementos de magia, ancestralidade e reconstrução histórica, Legado de uma Bruxa – Desfecho conduz o leitor até os dias atuais, encerrando a trilogia com reflexões sobre identidade, memória e o legado feminino ao longo dos séculos.

Antonieta de Barros foi educadora, jornalista e a primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil, além de autora da lei que instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina. A Revolução Federalista foi um conflito político e militar ocorrido no Sul do Brasil entre 1893 e 1895, com reflexos importantes na história catarinense. Voltaire foi filósofo e escritor francês do século 18, principal representante do Iluminismo. A cultura açoriana é o conjunto de tradições, costumes e manifestações culturais trazidos pelos imigrantes açorianos, que influenciaram fortemente a identidade de Santa Catarina.

Fonte: Assembleia SC

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