VIROU POLITICAGEMViaMar precisa ser tratada como obra de Estado, não como disputa de campanha

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A temporada eleitoral em Santa Catarina já começa a mostrar seus efeitos colaterais. Em vez de debates focados em propostas concretas, o cenário político tem sido tomado por controvérsias e tentativas de criar fatos eleitorais. Um dos temas mais polêmicos é a ViaMar, projeto de rodovia que promete desafogar a BR-101.

Há mais de uma semana, a opinião pública acompanha uma discussão sobre o estágio do empreendimento: se ainda é um projeto preliminar, se já há estudos avançados ou se a iniciativa partiu de governos anteriores. A população, no entanto, parece mais interessada em ver a obra sair do papel do que em debates semânticos ou disputas de autoria.

O governo estadual já lançou o edital de licitação para a primeira etapa da ViaMar, uma via expressa de seis pistas com limite de 120 km/h, que visa criar uma alternativa à BR-101 e melhorar a conexão entre a Grande Florianópolis e o Norte catarinense. O primeiro lote, com 25,7 quilômetros entre Itajaí e a região de Luiz Alves/Navegantes, tem investimento previsto de R$ 2,2 bilhões.

Esses números são o que realmente importa para os catarinenses que enfrentam congestionamentos diários, dependem da logística, trabalham, produzem e precisam se deslocar com eficiência. A discussão técnica e financeira deveria estar no centro do debate, e não a briga por autoria política.

O ex-governador Carlos Moisés afirmou que os estudos começaram durante sua gestão. Se houve contribuição anterior, é justo reconhecê-la. Obras de grande porte, especialmente as mais complexas, naturalmente atravessam mais de um mandato. O essencial é que haja começo, continuidade, responsabilidade técnica, financiamento e conclusão.

Santa Catarina ganharia se a classe política tratasse a ViaMar como uma obra de Estado, e não como um troféu eleitoral. Se um governo iniciou estudos, outro deu sequência, outro lançou edital e outro concluirá etapas, o mérito deve ser coletivo. Quem se beneficia com isso não é um partido ou candidato, mas sim a população.

Seria exemplar se os candidatos catarinenses adotassem um novo modelo de fazer campanha e política. Em vez de gastar energia tentando desconstruir adversários, poderiam apresentar ao eleitor suas propostas concretas: como viabilizarão as obras, quais fontes de recursos utilizarão, quais prioridades defendem e que resultados esperam entregar.

O eleitor catarinense não precisa de mais disputas por manchetes. Precisa de compromisso, planejamento e capacidade de execução. A ViaMar é importante demais para ser reduzida a uma briga de autoria. Que todos os envolvidos tenham seus méritos reconhecidos, mas que ninguém perca de vista o principal: obra pública só faz sentido quando melhora a vida das pessoas.

O resto é apenas discurso para gerar notícia na mídia. Proposta, execução e entrega são o que realmente importa e fica para a história.

Fonte: ND+

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