CRIMEResgate de mulher em SC expõe 40 anos de cárcere e tortura pelo próprio pai

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O resgate de uma mulher de 43 anos no interior de Santa Catarina expôs o horror vivido pela filha sob o teto do próprio pai. Ela foi ouvida por uma equipe do governo federal especializada em casos de pessoas em situação de escravidão doméstica nesta semana e revelou agressões e proibição de ir até mesmo ao médico.

O caso chocou a pequena cidade de Benedito Novo, de pouco mais de 10 mil habitantes. Com uma boneca no colo, usada quase como um amuleto de proteção, e uma sacola plástica com itens pessoais nas mãos, a mulher de aparência frágil e comportamento infantil foi retirada da casa e levada para um abrigo.

As autoridades tentam entender se ela nasceu com alguma dificuldade de comunicação e aprendizado não tratada ou se o quadro é resultado de anos de maus-tratos e segregação. Quando a equipe chegou ao imóvel, em uma área rural, encontrou resistência do pai em deixar que falassem com a mulher.

Os agentes chegaram a ser ameaçados com uma faca e a polícia precisou ir ao local. Quando fizeram contato com a vítima, ouviram dela que só podia falar com eles se o pai autorizasse. Foi preciso tempo para que a filha contasse o que vivia dentro da residência.

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Ela revelou ter sido agredida pelo pai, mas via a situação como “normal”. Contou ainda que chegou a usar creolina, normalmente aplicada em animais, para tentar dar fim à dor no único dente existente na boca. Era também proibida de ir ao médico e obrigada a fazer todos os serviços da casa sozinha.

A mãe morreu em 2024, segundo as autoridades, e desde então viviam só ela, o pai e um irmão. A Justiça emitiu uma medida protetiva para que o pai não se aproxime dela. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar eventualmente os crimes de cárcere privado e trabalho análogo à escravidão. O homem responde em liberdade.

Fotos mostram o cenário encontrado pelos fiscais durante o resgate. A residência onde a mulher foi mantida em condições degradantes ficava em uma área afastada do centro de Benedito Novo. A operação foi conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal.

De acordo com a equipe de fiscalização, a mulher apresentava sinais de desnutrição e maus-tratos físicos. Ela estava isolada do convívio social há décadas, sem acesso a educação formal ou saúde. O pai a mantinha sob controle, proibindo-a de sair sozinha ou ter contato com vizinhos.

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O caso gerou comoção na cidade. Moradores relataram que sempre desconfiaram da situação, mas não tinham provas. O resgate foi possível após denúncias anônimas. A vítima está agora sob acompanhamento psicológico e médico em um abrigo sigiloso.

O delegado responsável pelo inquérito afirmou que as investigações continuam para apurar a extensão das agressões e a participação de outros familiares. O pai, que não teve o nome divulgado, pode ser indiciado por cárcere privado, trabalho análogo à escravidão e lesão corporal.

A Secretaria de Assistência Social do estado acompanha o caso e garante que a mulher receberá todo o suporte necessário para sua reintegração social. O governo federal destacou a importância de denúncias para combater situações de escravidão moderna, que muitas vezes ocorrem em áreas rurais isoladas.

Este é mais um exemplo de como o trabalho de fiscalização resgata vidas anônimas, mas que carregam histórias de sofrimento por décadas. A sociedade espera que a justiça seja feita e que a vítima possa reconstruir sua vida longe do algoz.

Fonte: NSC Total

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