A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que o câncer de rim causa, em média, dez mortes diárias no Brasil, tornando-se a neoplasia mais letal entre as que afetam o trato geniturinário. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, compilados pela entidade, apontam que a doença foi responsável por 38.618 óbitos entre 2016 e 2025. O perfil epidemiológico mostra maior incidência em homens e na faixa etária de 60 a 79 anos.
O cenário fundamenta as ações do Dia Mundial do Câncer de Rim, celebrado em 18 de junho. A campanha anual busca ampliar o conhecimento sobre o tumor, que nas fases iniciais não apresenta sintomas. Na maioria dos casos, a massa tumoral é descoberta incidentalmente em exames de imagem abdominais solicitados para investigar outras condições.
O presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes, destaca que o comportamento silencioso do tumor reforça a importância do acompanhamento médico preventivo. “O diagnóstico precoce continua sendo nosso principal aliado, pois eleva significativamente as chances de cura. Além disso, os avanços terapêuticos dos últimos anos têm proporcionado tratamentos mais precisos, menos invasivos e com resultados cada vez melhores para os pacientes”, afirma.
Em estágios iniciais, o câncer renal não apresenta manifestações clínicas aparentes. Porém, em fases mais avançadas, podem surgir sintomas como sangue na urina (hematúria), dor persistente na região lombar, massa palpável ou nódulo abdominal, perda de peso involuntária, cansaço extremo, febre intermitente e anemia.
Segundo especialistas, embora existam mutações genéticas e síndromes hereditárias associadas ao desenvolvimento da doença, grande parte dos casos está ligada a fatores de risco modificáveis por meio de hábitos de vida. Os principais fatores de risco incluem tabagismo (principal fator evitável), obesidade e sobrepeso, hipertensão arterial sistêmica, doença renal crônica, exposição prolongada a compostos químicos industriais e histórico familiar de neoplasia renal.
A diretora de comunicação da SBU, Karin Anzolch, pondera que o volume superior a 3,8 mil mortes por ano evidencia um problema crônico de saúde pública, decorrente do ingresso tardio dos pacientes no sistema de saúde. Das mortes registradas na última década, o sexo masculino concentrou a maioria absoluta: 24.370 óbitos, contra 14.248 entre as mulheres.
O manejo terapêutico do câncer renal passou por transformações nos últimos anos. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) indicam que, no decênio encerrado em 2025, a rede pública realizou 23.174 nefrectomias totais (remoção completa do rim) e 13.188 nefrectomias parciais (extração apenas do nódulo tumoral, preservando o tecido renal saudável). No primeiro trimestre deste ano, foram contabilizados 780 procedimentos totais e 530 intervenções parciais.
A tendência urológica contemporânea prioriza as cirurgias poupadoras de néfrons, para reduzir o risco de o paciente desenvolver insuficiência renal crônica no pós-operatório. “Atualmente, sempre que possível, buscamos preservar o rim com cirurgias parciais e técnicas minimamente invasivas, diminuindo impactos na função renal e melhorando a qualidade de vida”, detalha Karin Anzolch.
O coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, Fernando Korkes, explica que a disseminação de exames modernos, como ultrassonografia e tomografia computadorizada, permitiu a detecção de lesões menores, operáveis por vias laparoscópica ou robótica. Segundo o médico, a remoção completa do órgão tornou-se conduta de exceção. Alternativamente, técnicas ablativas como a crioterapia podem ser aplicadas em grupos selecionados de pacientes.
Mesmo quando a doença já se manifesta com metástases a distância, o prognóstico clínico melhorou substancialmente. Gustavo Franco Carvalhal, supervisor da disciplina de câncer de rim da SBU, esclarece que a introdução de terapias-alvo e protocolos de imunoterapia de última geração — substâncias que modulam a resposta do sistema imunológico contra as células tumorais — ampliou expressivamente a sobrevida global e a perspectiva de remissão nos pacientes submetidos ao tratamento oncológico.
Fonte: ContilNet Notícias






















