SAÚDEMédica alerta: não existe quantidade segura para consumo de tabaco

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A crença de que fumar apenas alguns cigarros por dia é inofensivo foi desmentida por especialistas. Segundo a pneumologista Carolina Salim, não há patamar seguro para o consumo de cigarros, cigarros eletrônicos ou qualquer produto inalado à base de tabaco. Ela ressalta que o perigo não se limita à quantidade diária, mas também ao tempo de exposição. Fumar pouco, mas por muitos anos, não deve ser subestimado como hábito inócuo.

Os efeitos positivos da cessação do tabagismo são rápidos, especialmente no sistema cardiovascular. Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo Cancer Center, afirma que o risco de infarto e acidente vascular cerebral começa a diminuir em poucos meses após parar de fumar.

No caso dos pulmões, interromper o fumo cessa a agressão contínua. No entanto, lesões já consolidadas, como enfisema pulmonar grave, podem não se reverter. Nesses pacientes, a interrupção do tabagismo ao menos evita a progressão do quadro, conforme explica Freitas.

Quanto ao câncer, a redução do risco é gradual ao longo dos anos. Após cerca de 15 a 20 anos sem fumar, a probabilidade de desenvolver a doença se aproxima à de quem nunca fumou, segundo o especialista.

A fumaça do cigarro não afeta apenas quem fuma. Carolina Salim alerta que o tabagismo passivo eleva as chances de câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. O grau de risco depende do tempo de exposição, da proximidade com o fumante e das condições ambientais, afirma a médica.

Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indica que adultos não fumantes expostos ao fumo passivo têm de 20% a 30% mais risco de câncer de pulmão e aumento de 25% a 30% no risco de doenças cardíacas.

Os cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido alteram as substâncias inaladas, mas não eliminam o perigo. Freitas explica que o vapor segue trajeto semelhante ao da fumaça: entra pelas vias aéreas, atinge os pulmões e parte dos compostos é absorvida pela corrente sanguínea. Ele alerta que já há evidências de lesões agudas nas vias respiratórias ligadas ao uso de cigarros eletrônicos.

Os efeitos de longo prazo desses dispositivos sobre o câncer ainda são incertos, pois eles se popularizaram há pouco tempo, segundo o médico.

Pessoas que fumam ou fumaram devem monitorar sintomas como tosse crônica, falta de ar, perda de peso inexplicada, dor torácica, rouquidão persistente e expectoração com sangue. Carolina indica que indivíduos com mais de 50 anos, que fumam ou pararam há menos de 15 anos e têm carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano, devem fazer rastreamento anual com tomografia de tórax de baixa dose para câncer de pulmão.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda definir uma data para parar de fumar e interromper completamente o hábito nesse dia. Sugere também mudar a rotina, identificar gatilhos e descartar objetos como cinzeiros, isqueiros e cigarros. Evitar locais onde se costumava fumar é outra medida útil.

Reduzir gradualmente o número de cigarros diários, adiar o primeiro cigarro do dia e aumentar os intervalos entre eles pode ajudar. A prática de exercícios físicos libera hormônios que melhoram o humor e controlam a ansiedade, auxiliando no processo.

A terapia, especialmente em grupo, é recomendada para quem busca mudar o estilo de vida. O acompanhamento de outras pessoas pode facilitar a transição. O mais importante é não desanimar com eventuais recaídas e persistir no objetivo de abandonar o tabaco.

A conclusão dos especialistas é clara: a fumaça do cigarro não se limita aos pulmões; ela expõe todo o corpo a toxinas. A única quantidade considerada segura é zero.

Fonte: Metrópoles

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