FACHIM DECIDIRÁFachin vai definir relator de notícia-crime sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta segunda-feira (22) ao presidente da Corte, Edson Fachin, a decisão sobre a relatoria de uma notícia-crime que investiga suposta ligação entre o financiamento do filme “Dark Horse”, negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a atuação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em sanções contra autoridades brasileiras.

A medida foi tomada após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que na sexta-feira (19) se posicionou favoravelmente à redistribuição do caso ao ministro André Mendonça. A PGR argumentou que Mendonça já conduz outro processo relacionado ao Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero.

O autor da notícia-crime é o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que protocolou o documento em 18 de maio. No pedido, o parlamentar solicita a ampliação de uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, incluindo agora o ex-presidente Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

Lindbergh alega “indícios de participação” de Flávio na captação, cobrança, intermediação ou destinação de valores ligados ao filme, e afirma que Jair Bolsonaro seria “beneficiário dos fatos investigados”.

Entre as medidas cautelares requeridas contra Flávio estão a entrega do passaporte, proibição de deixar o país sem autorização judicial e veto de contato com Daniel Vorcaro. O deputado também pede o bloqueio de bens do senador e de pessoas “diretamente vinculadas à operação” de financiamento do longa.

O requerimento solicita ainda o compartilhamento de informações apuradas no inquérito contra Eduardo com as investigações sobre o Banco Master, incluindo dados de operadores financeiros, intermediários, contratos, mensagens, áudios, comprovantes e relatórios de inteligência financeira.

Lindbergh quer que a Polícia Federal (PF) produza um relatório sobre a correlação entre os dados coletados na operação contra o Banco Master e o processo envolvendo Eduardo Bolsonaro. O pedido também prevê a expedição de ofícios a órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central, Receita Federal e Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para identificar fluxos financeiros relacionados a Vorcaro, Flávio e empresas ligadas ao filme.

Na área internacional, o deputado solicita cooperação jurídica com os Estados Unidos para obter registros financeiros, contratuais, societários, fiscais, migratórios e de lobby vinculados à produção de “Dark Horse”, à atuação de Eduardo e a eventuais pagamentos no exterior.

O parlamentar também pede a apuração de possíveis crimes como lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.

A crise envolvendo o dono do Banco Master veio à tona em 13 de maio, quando o Intercept Brasil divulgou que Flávio trocou mensagens com Vorcaro para captar recursos para o filme “Dark Horse”, que pretende contar a história de Jair Bolsonaro. Em 19 de maio, o portal Metrópoles revelou que o senador se encontrou com o banqueiro após a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes no Banco Master.

Flávio confirmou a visita em entrevista a jornalistas. “Eu estive com ele, mais uma vez, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não poderia sair de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para ‘botar um ponto final’ nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, afirmou.

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para financiar o longa. Desse total, ao menos US$ 10 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As mensagens divulgadas mostram que Flávio cobrou o banqueiro em outubro de 2025, afirmando que a produção estava “no limite” financeiro. Os diálogos também indicam um encontro na casa de Vorcaro, em São Paulo, em 2 de novembro de 2025, com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh.

Apesar da repercussão, Flávio tem defendido publicamente a captação dos recursos. Em 15 de maio, durante evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, ele justificou o investimento privado na obra e criticou o uso de verba pública para o que chamou de “propaganda política”. Como exemplo, citou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026. Na ocasião, Flávio também criticou o Intercept Brasil, classificando a equipe como “suspeita” e acusando o veículo de tentar “interceptar o futuro do país”.

Fonte: Jovem Pan

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