ENERGIAGeração solar atinge 55 GW e se consolida como segunda maior fonte do país

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A energia solar ultrapassou a marca de 55 gigawatts (GW) de potência instalada operacional no Brasil, consolidando-se como a segunda maior fonte de energia do país. O setor adicionou 1,6 GW ao sistema nacional nos primeiros meses de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Atualmente, a tecnologia fotovoltaica responde por 22,2% de toda a capacidade instalada da matriz elétrica brasileira.

A maior parte da geração solar provém da geração distribuída, instalada em telhados e terrenos de imóveis, que soma 37,6 GW em aproximadamente cinco milhões de propriedades. O restante, 17,6 GW, vem de grandes usinas fotovoltaicas conectadas diretamente ao Sistema Interligado Nacional (SIN). No primeiro trimestre de 2025, os consumidores instalaram mais de 147 mil novos sistemas solares, ampliando o atendimento para 228,7 mil unidades consumidoras.

Anderson Oliveira, CEO Operacional do Grupo EcoPower Eficiência Energética, acompanha de perto o crescimento do setor. Ele afirma que a empresa atua no desenvolvimento, instalação e manutenção de projetos fotovoltaicos personalizados para residências, empresas, indústrias e propriedades rurais. “Ao instalar painéis solares, o consumidor passa a produzir a própria eletricidade a partir da luz do sol, reduzindo a dependência da rede de distribuição convencional em até 95%, além de contar com uma durabilidade de cerca de 25 anos”, destaca Oliveira.

Os dados setoriais indicam que o segmento fotovoltaico gerou mais de R$ 251,1 bilhões em investimentos acumulados desde 2012. A atividade também impulsionou a criação de 1,6 milhão de empregos verdes e arrecadou mais de R$ 78 bilhões em tributos. Em termos ambientais, a tecnologia evitou a emissão de 66,6 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera.

Oliveira avalia que esses indicadores econômicos e ambientais reforçam a relevância da tecnologia fotovoltaica e a conscientização da população para o desenvolvimento sustentável. “A energia solar vai ao encontro de uma conscientização global: a sustentabilidade. Além disso, a economia que proporciona às famílias, empresas, indústrias e propriedades rurais impulsiona a economia do país. O valor economizado mensalmente é investido em áreas como viagens, ampliação de negócios e novas tecnologias”, afirma o executivo.

As residências lideram a fatia de unidades consumidoras com geração própria, representando 69,2% do total. Os estabelecimentos comerciais respondem por 18,4%, enquanto as propriedades rurais concentram 9,9%. No ranking regional, Minas Gerais lidera com mais de 900 mil imóveis operando com captação própria. São Paulo vem em segundo lugar, com 756 mil instalações, seguido pelo Rio Grande do Sul, que conta com 468 mil sistemas homologados.

Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios regulatórios. A Absolar aponta prejuízos causados por cancelamentos de projetos por parte das distribuidoras locais, além da falta de ressarcimento financeiro a investidores quando ocorrem cortes na geração de usinas centralizadas pela agência reguladora. Na microgeração, as empresas encontram restrições sob o argumento técnico de inversão de fluxo na rede elétrica.

Para solucionar esses impasses, o setor defende atualizações no marco legal da micro e minigeração distribuída, por meio de novas propostas legislativas no Congresso Nacional. Oliveira ressalta que “a energia solar não apenas reduz custos para os consumidores, mas também contribui para a sustentabilidade e a independência energética do país”.

A expectativa é que a capacidade instalada continue crescendo, impulsionada pela queda dos custos dos equipamentos e pelo aumento da conscientização ambiental. Com a segunda posição na matriz elétrica, a energia solar se firma como uma alternativa viável e limpa para o futuro energético do Brasil.

A manutenção dos incentivos e a superação das barreiras regulatórias são vistas como essenciais para que o setor mantenha o ritmo de expansão e continue gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais para o país.

Fonte: O GLOBO

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