Documentos de inteligência dos Estados Unidos, divulgados por determinação do então presidente Donald Trump, revelam que a Venezuela mantém há mais de uma década capacidade técnica para fraudar eleições. Segundo os papéis, órgãos como a Direção-Geral de Contrainteligência Militar, o Serviço Bolivariano de Inteligência e o Conselho Nacional Eleitoral poderiam manipular resultados usando máquinas de votação pré-programadas, com potencial para alterar até 1,5 milhão de votos.
A Casa Branca utilizou as informações para reforçar questionamentos sobre a eleição presidencial americana de 2020, na qual Trump foi derrotado por Joe Biden. O material, porém, não apresenta provas de que o mecanismo tenha sido empregado nos Estados Unidos.
Os registros da CIA datam de 2012, ano em que Hugo Chávez, já debilitado pela doença, venceu Henrique Capriles após uma campanha marcada por gastos públicos estimados em cerca de R$ 359 bilhões. Apesar das suspeitas, os relatórios não confirmam o uso da fraude naquele pleito, e Capriles reconheceu a derrota na época.
Não é a primeira vez que Trump alega irregularidades nas urnas de 2020. As acusações foram amplamente contestadas por adversários políticos e especialistas. Após uma busca do FBI na Geórgia, os senadores democratas Jon Ossoff e Raphael Warnock criticaram a postura do republicano, com Ossoff classificando a ação como uma ‘cruzada de perdedor crônico’.
Em 2020, a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA), vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, declarou que aquela eleição foi a mais segura da história americana.
O contexto mudou após a morte de Chávez, em 2013. Na eleição seguinte, Nicolás Maduro venceu Capriles por margem estreita, em meio a denúncias de irregularidades. Em 2017, a Smartmatic, empresa responsável pelo sistema de votação, alertou para uma inflação de pelo menos 1 milhão de votos na participação registrada durante a eleição da Assembleia Nacional Constituinte.
O caso mais grave apontado pela inteligência americana ocorreu em julho de 2024, quando o chavismo teria alterado diretamente os números para reverter a vitória do opositor Edmundo González Urrutia sobre Maduro. As atas eleitorais, documentadas pela oposição por meio de códigos QR, indicavam 7 milhões de votos para González contra 3 milhões para Maduro.
Mais de seis meses após a queda do regime, nenhum dos três órgãos citados pela CIA foi desmantelado. Elvis Amoroso, que certificou o resultado fraudulento de 2024 como presidente do Conselho Nacional Eleitoral, permanece no cargo.
Trump usou o histórico venezuelano para argumentar que as urnas eletrônicas americanas seriam vulneráveis a ataques semelhantes, colocando em dúvida a legitimidade da eleição de 2020. No entanto, de acordo com a agência Reuters, não há evidências de que esse tipo de fraude tenha ocorrido nos Estados Unidos, e o próprio Trump não afirmou que as técnicas foram usadas no país.
Ao longo do primeiro semestre de 2026, Trump já havia repetido mais de 100 vezes que a eleição de 2020 foi fraudada. Um jornalista venezuelano exilado, que acompanhou de perto os bastidores do regime chavista, oferece um relato detalhado do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, disponível no canal da Brasil Paralelo.
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Fonte: Brasil Paralelo Notícias

























