ECONOMIAAudiência pública debate fechamento de agências bancárias em SC

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A noite desta quarta-feira (5) foi marcada por um debate na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) sobre os efeitos do encerramento de unidades bancárias no estado. O evento, organizado pela Comissão de Direitos do Consumidor, teve como principal resultado a decisão de criar um grupo para estudar propostas de leis que obriguem os bancos a manter serviços presenciais.

Autoridades, trabalhadores do setor e representantes de sindicatos participaram da discussão, que foi solicitada pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC). A entidade vem alertando que o fechamento das agências tem atingido principalmente a população mais carente, sobretudo em cidades pequenas, gerando prejuízos também para a economia local.

De acordo com a Fetrafi-SC, os bancos justificam a redução das unidades pelo avanço da digitalização dos serviços. No entanto, o secretário-geral da federação, Marco Aurélio Silvano, rebateu esse argumento: “Não negamos a importância da tecnologia, mas ela não substitui o homem. Todo mundo sabe que problemas complexos, operações de crédito, situações que envolvem fraudes, atendimento de pessoas que não têm acesso à internet, pessoas idosas, exigem a presença de uma agência e de profissionais qualificados”.

Silvano também destacou que a diminuição do atendimento presencial prejudica não só os clientes, mas os próprios bancários. “A redução dos postos de trabalho, com o fechamento das agências, faz com que um volume de trabalho grande recaia sobre cada vez menos bancários, com sobrecarga”, disse. Ele defendeu que a sociedade participe desse debate, que atualmente está restrito aos trabalhadores. “Essa mudança é uma escolha do cliente ou uma imposição dos bancos, que reduziram o atendimento presencial e obrigaram os clientes a usarem esses aplicativos?”, questionou.

Cleberson Eichholz, presidente do Sintrafi, sindicato que representa os bancários da Grande Florianópolis, também defendeu a criação de leis que garantam a manutenção do atendimento presencial. “Precisamos de um atendimento que garanta mínimas condições para as pessoas mais vulneráveis, que são as mais prejudicadas com essa dinâmica dos bancos, pois elas têm mais dificuldades em acessar os meios digitais”, afirmou.

Gustavo Tabatinga, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), foi além e propôs que o poder público estadual seja proibido de operar com instituições financeiras que não mantenham uma rede adequada de agências.

Durante a audiência, o economista do Dieese Gustavo Cavarzan apresentou dados preocupantes. Em dez anos, Santa Catarina perdeu 40% das suas agências bancárias, e o número de empregos no setor caiu 30%. Atualmente, 44% dos municípios catarinenses não possuem agência bancária, afetando mais de 600 mil pessoas. “Isso traz uma série de consequências para os clientes e para a economia desses municípios”, disse Cavarzan, citando a queda na arrecadação, o prejuízo para pequenos negócios e o aumento da inadimplência.

O economista também apontou uma estratégia de precarização no atendimento à população de baixa renda. Enquanto os bancos concentram o atendimento presencial para clientes de alta renda, os mais pobres ficam dependentes dos correspondentes bancários, que somam 12,3 mil em Santa Catarina — 21 vezes o número de agências. Ele alertou que essa falta de atendimento adequado contribui para o endividamento da população. “Esse processo de falta de atendimento adequado também ajuda a explicar um dos principais problemas que atinge a população, que é o endividamento. É um tema que merece atenção do poder público, porque está se agravando e vai trazer mais consequências negativas”, concluiu.

Fonte: Assembleia SC

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