Nesta quarta-feira, dia 12, o Auditório Deputada Antonieta de Barros, localizado no Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, foi palco do Seminário Estadual de Autismo, promovido pela Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e pela Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O encontro reuniu profissionais da educação para discutir práticas pedagógicas, neurociência e abordagens baseadas em evidências, com foco na inclusão e no desenvolvimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Dados da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) apontam que Santa Catarina tem cerca de 9.1,6 mil pessoas com diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população estadual. Do total, 62,6% são do sexo masculino, com maior presença em cidades como Joinville e Florianópolis. O estado já conta com legislação específica para apoiar pessoas com autismo, incluindo a emissão gratuita da carteira de identificação e programas de inclusão, mas o seminário busca ampliar a capacitação e fortalecer as políticas públicas na área.
A programação do evento, que se estendeu por todo o dia, teve como objetivo principal capacitar profissionais da educação e reforçar a implementação efetiva da inclusão escolar para alunos com TEA. Especialistas compartilharam conhecimentos, experiências e estratégias sobre um dos grandes desafios da educação atual: transformar o direito à inclusão em práticas concretas dentro da sala de aula. A intenção foi aumentar o conhecimento dos participantes sobre as características do autismo e oferecer ferramentas para promover a aprendizagem, a autonomia e o desenvolvimento integral dos estudantes da educação básica.
O evento também serviu para aproximar o saber científico, a vivência profissional e a realidade das famílias, destacando a importância da formação contínua dos educadores. Entre os participantes, Catia Cristiane Purnhagen Franzoi, presidente da Federação das Associações de Amigos do Autista de Santa Catarina (Feamas-SC), enfatizou que a capacitação pode melhorar diretamente o trabalho das instituições e, consequentemente, o desenvolvimento das pessoas com TEA. “Nós precisamos cada vez mais levar a informação e, com isso, conseguir desenvolver um trabalho consistente para o desenvolvimento das crianças, jovens e adultos com autismo”, afirmou.
Catia também elogiou a qualidade dos palestrantes e a possibilidade de converter o conhecimento apresentado em ações práticas no dia a dia das escolas e instituições. Por outro lado, ela apontou desafios significativos enfrentados no estado, como a necessidade de expandir a oferta de atendimento e diminuir as longas filas de espera. “Precisamos buscar com que o poder público e as empresas façam um incentivo ainda maior para que a gente consiga, o quanto antes, absorver essas crianças para o atendimento clínico, que é o que vai fazer total diferença na vida dessa pessoa e dessa família”, destacou.
A dimensão do problema foi ilustrada com números apresentados por Catia: em Balneário Camboriú, onde atua, há cerca de 500 crianças aguardando atendimento, enquanto em Itajaí a fila chega a aproximadamente 1,2 mil crianças. Além disso, muitas famílias ainda esperam pelo diagnóstico de autismo. A presidente da Feamas-SC informou que a federação possui cerca de 32 Associações de Amigos do Autista (AMAs) cadastradas, e outras 30 entidades recém-criadas recebem suporte para se credenciar e integrar a rede.
Daniela Dias Steindorff, presidente da AMA Florianópolis, também participou do seminário e reforçou a necessidade de ampliar o conhecimento e qualificar o atendimento. Mãe atípica e atuante na defesa dos direitos das pessoas autistas na Capital, ela ressaltou que não existem soluções padronizadas para o autismo. “Não há fórmula pronta para tratar o autismo. Na AMA, convivemos com essa realidade há três décadas, e nenhuma pessoa autista cabe em uma fórmula pronta”, disse.
Para Daniela, o conhecimento precisa sair da teoria e chegar ao cotidiano das famílias e das escolas. “É preciso chegar à vida real e à sala de aula. Exatamente por isso que esse seminário importa”, completou. Ela destacou que a formação de profissionais e a troca de experiências são fundamentais para que a inclusão aconteça de forma efetiva, transformando o conhecimento em práticas capazes de atender às necessidades individuais. Sua participação representou a voz das famílias que acompanham há décadas os desafios da inclusão e da garantia de direitos, aproximando famílias, profissionais, instituições e poder público na construção de políticas mais realistas.
A palestra de abertura do evento, intitulada “A Arquitetura do Aprendizado: Autismo, Neurociência e DUA”, foi ministrada pelo professor e especialista em autismo Eugênio Cunha. Ele abordou a aprendizagem de crianças e adolescentes com TEA no ambiente escolar, propondo aproximar os conhecimentos modernos da neurociência das práticas pedagógicas, com ênfase no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). A apresentação buscou oferecer subsídios para que os educadores possam adaptar suas metodologias e tornar o ensino mais acessível e eficaz para todos os alunos.
Fonte: Assembleia SC

























