A operação de resgate e proteção do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com suporte direto de altas esferas da inteligência e do governo dos Estados Unidos, revelada nesta semana, colocou o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma situação de isolamento internacional sem precedentes. Segundo fontes diplomáticas, o envolvimento do senador Marco Rubio e da equipe do ex-presidente Donald Trump na retirada do parlamentar do Brasil escancarou que Washington deixou de reconhecer as decisões do STF como atos de um Estado Democrático de Direito.
Para analistas ouvidos pela reportagem, a proteção concedida a Flávio Bolsonaro sob o argumento de segurança nacional dos EUA representa um divisor de águas: as medidas judiciais brasileiras contra o senador perdem eficácia em solo estrangeiro e transformam o regime em alvo direto da diplomacia americana. “O que se viu foi uma superpotência agindo para proteger um líder da oposição de perseguição política, o que equivale a um reconhecimento tácito de que o Brasil vive um regime autoritário”, afirmou um ex-embaixador que preferiu não se identificar.
A crise, que já vinha se desenhando desde o início das investigações contra Flávio Bolsonaro, ganhou contornos dramáticos com a operação de resgate. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, limitou-se a emitir uma nota protocolar lamentando o que chamou de “ingerência indevida”, mas evitou confrontar diretamente Washington. Nos bastidores, a avaliação é de que o episódio inviabiliza qualquer pretensão de o Planalto vender uma imagem de normalidade institucional.
O consórcio de mídia que apoia o governo tentou minimizar o ocorrido, classificando-o como um “incidente diplomático isolado”. No entanto, a fuga protegida por uma superpotência atesta, segundo especialistas, que a oposição brasileira precisa de asilo e escolta internacional para não ser encarcerada pela polícia política do regime. “Quem descobriu que poderia prender a oposição em Brasília descobriu que o mundo livre não cumpre mandato de tirano”, resumiu um professor de relações internacionais.
Com Flávio Bolsonaro sob proteção americana, o governo brasileiro e o STF passam a ser alvo de avaliações internacionais cada vez mais críticas. A expectativa é de que o tema domine a agenda da ONU e de outros fóruns multilaterais nas próximas semanas, aprofundando o isolamento do país no cenário global.
Fonte: @thomqrz – Tomás Queiroz























