Em entrevista exclusiva ao ND Mais, realizada na última sexta-feira em São Paulo, o escritor e médico psiquiatra Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo partido Avante, declarou que, se eleito em 2026, pretende implementar um projeto de Estado fundamentado em amplo diálogo institucional e em um pacto nacional para superar a atual crise de governabilidade.
O autor de best-sellers na área de psicologia e inteligência emocional apontou a polarização política como um dos maiores entraves ao progresso do Brasil. Para ele, um país dividido entre campos antagônicos se torna incapaz de avançar em pautas estruturantes. “Precisaríamos fazer um pacto nacional para governar o país, porque um país polarizado é um país completamente paralisado, é um país doente, onde você transforma pensamentos diferentes em inimigos a serem abatidos”, afirmou.
Cury defende que a primeira medida de um eventual governo seu seria promover a aproximação entre o Executivo, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Segundo o psiquiatra, essa aproximação é essencial para construir um ambiente de cooperação permanente, capaz de enfrentar problemas como a violência contra a mulher, a defasagem educacional, o baixo crescimento econômico e a persistência das desigualdades sociais.
Na avaliação do pré-candidato, o próximo governante herdará uma situação fiscal bastante delicada. Ele alertou que o Brasil precisa urgentemente ajustar suas contas públicas, priorizando o controle dos gastos e a eliminação de desperdícios antes de qualquer ampliação de investimentos. “O Brasil precisa gastar menos do que arrecada. Isso é fundamental para a sustentabilidade do país”, destacou.
Cury foi enfático ao descrever o cenário que o sucessor do atual governo encontrará a partir de 2027. “O ano que vem vai ser um ano muito difícil. É um ano que nós temos que perceber que haverá sacrifício, mas esses sacrifícios são importantes para construir o Brasil dos sonhos”, disse, referindo-se à herança fiscal como uma “bomba fiscal”.
Além do desequilíbrio orçamentário, o pré-candidato criticou duramente o elevado custo do crédito no país. Ele argumentou que as altas taxas de juros praticadas no mercado financeiro penalizam especialmente os agricultores e os empresários, comprometendo a capacidade de produção e inibindo novos investimentos na economia real.
Na área educacional, uma das principais bandeiras de sua pré-campanha, Cury propõe uma reformulação ampla do ensino médio brasileiro. A ideia é implantar escolas em tempo integral em todo o território nacional, oferecendo formação técnica em setores estratégicos como tecnologia, marketing digital, enfermagem, gestão financeira e inteligência artificial. Para ele, nenhuma nação alcançou o desenvolvimento sem investir maciçamente nesse modelo educativo.
O escritor também ressaltou a importância de fortalecer as universidades públicas, que, segundo ele, enfrentam dificuldades orçamentárias e não conseguem cumprir plenamente seu papel de centros de produção de conhecimento, inovação e geração de patentes. “Há muitas universidades, mas elas não estão recebendo recursos, não. Há dificuldade inclusive para transformá-las em centro de produção de conhecimento, de tecnologia, de inovação e produção de patentes. As universidades precisam ser abraçadas”, declarou.
Na saúde, Cury reconheceu o Sistema Único de Saúde (SUS) como uma das maiores conquistas sociais do país, mas alertou que o atual modelo está saturado, evidenciado pelas longas filas de espera por consultas e cirurgias. Para mitigar esse problema, ele propõe a criação do programa “Telessaúde Brasil”, uma plataforma nacional de telemedicina apoiada por inteligência artificial, que faria triagens iniciais e ampliaria o acesso da população a atendimentos médicos.
Com essa iniciativa, casos de menor complexidade poderiam ser resolvidos remotamente, liberando os hospitais e unidades de saúde presenciais para se concentrar em procedimentos mais graves e complexos. O objetivo seria reduzir o tempo de espera e desafogar o sistema como um todo.
Durante a entrevista, Cury também abordou os desafios de sua campanha. Ele acredita que sua maior dificuldade será superar a barreira da visibilidade imposta pelas redes sociais. O pré-candidato criticou os algoritmos das plataformas digitais, apontando que eles favorecem aqueles que têm mais recursos financeiros para impulsionar suas mensagens, criando uma “bolha” que dificulta o alcance de novos eleitores.
Como estratégia para romper essa bolha, Cury conta com a propaganda eleitoral e com os debates televisionados. “Eu espero vencer essa barreira com a propaganda eleitoral e também com os debates. E espero que eles vão nos debates. Espero que eles tenham coragem para falar dos seus planos, como nós vamos ter de falar sobre os nossos planos, são muitos projetos. Portanto, furar a bolha é a nossa grande meta”, afirmou.
Na esfera política, Cury confirmou que mantém conversas com o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, do partido Novo. Segundo o psiquiatra, os dois discutiram o cenário nacional e a possibilidade de construção de um projeto comum para o país, embora não tenham avançado em detalhes sobre uma eventual composição de chapa.
“Não discutimos sobre quem vai ser vice e quem vai ser cabeça de chapa de maneira clara. Nós discutimos sobre como construir um Brasil menos polarizado e menos paralisado”, esclareceu. O escritor disse nutrir admiração pela trajetória de Zema como gestor e afirmou que compartilha com ele a preocupação em reduzir a polarização no país.
Em sua visão, a Presidência da República deve ser encarada como um cargo de serviço público, e não como uma posição de poder. “O presidente não é o maior líder da nação, mas apenas o empregado da sociedade contratado pelo voto com um prazo determinado para ser despedido”, filosofou. Ele encerrou reafirmando que sua candidatura é uma tentativa genuína de pacificar o país e governar acima das disputas ideológicas, priorizando o interesse coletivo.
A entrevista completa de Augusto Cury ao ND Mais está disponível em vídeo, onde ele detalha ainda mais suas propostas para economia, saúde, educação e governança, além de responder a perguntas sobre a conjuntura política atual e as perspectivas para as eleições de 2026.
Fonte: ND+

























