VIROU GUERRABloqueio de R$ 54 bilhões atinge acionistas da Americanas em nova fase da Operação Disclosure

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O escândalo contábil das Lojas Americanas ganhou novo capítulo nesta quinta-feira, 25, com a segunda fase da Operação Disclosure. A Polícia Federal mira nomes influentes do varejo brasileiro e determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 54 bilhões.

A quantia corresponde à estimativa de fraudes apontadas em laudos técnicos da investigação. O objetivo da medida é assegurar recursos para futura reparação de danos causados aos investidores e ao mercado.

Nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre os alvos estão Carlos Alberto Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.

Todos os mandados foram autorizados pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. A operação é conduzida em conjunto com o Ministério Público Federal.

A Americanas afirmou, por meio de nota, que não foi alvo direto das buscas e que colabora com as apurações desde a revelação da fraude em 2023. A empresa reforçou seu interesse em esclarecer os fatos.

A holding LTS, que reúne os acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, disse ter sido surpreendida pela ação. Em comunicado, declarou que os controladores foram enganados pela antiga diretoria da varejista.

A nova fase da operação é um desdobramento da primeira, iniciada em junho de 2024. Desde então, os investigadores analisaram documentos, equipamentos eletrônicos e informações financeiras apreendidas anteriormente.

A investigação busca esclarecer se acionistas de referência, representantes de grandes bancos, ex-executivos e ex-funcionários da Americanas tiveram participação ativa nas irregularidades.

Segundo a Polícia Federal, as fraudes ocorreram ao longo de vários anos para ocultar a real situação econômico-financeira da empresa. O foco está em duas práticas: operações de risco sacado e verbas de propaganda cooperada.

No risco sacado, a empresa antecipava pagamentos a fornecedores por meio de bancos, criando dívidas que não eram registradas corretamente. Já as verbas de propaganda cooperada, segundo a PF, não tinham lastro econômico real para justificar os valores lançados.

As apurações indicam indícios dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Americanas está em recuperação judicial desde 2023, quando revelou um rombo bilionário.

O caso já passou por investigação independente, CPI no Congresso e apurações criminais. Agora, com o bloqueio bilionário, a PF tenta avançar sobre a pergunta central: quem sabia, quem participou e quem deve responder pela fraude.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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