O dólar comercial fechou esta quarta-feira (17/6) em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), recuou 0,70%, aos 168,4 mil pontos. O movimento reflete a reação dos investidores às sinalizações do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
O Fed manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, decisão amplamente esperada pelo mercado. No entanto, o comunicado divulgado após a reunião foi classificado como ‘duro’ por analistas, indicando uma postura mais conservadora em relação à inflação.
Além disso, as projeções individuais dos diretores e presidentes regionais do Fed apontam para uma tendência de alta da taxa ainda neste ano. Esse cenário provocou uma reversão nos mercados brasileiros, que antes do anúncio operavam com dólar em queda e Ibovespa em alta.
Outro fator que influenciou o pregão foi o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Apesar de um acordo preliminar ter avançado, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou retomar bombardeios contra Teerã caso não aprove o texto final, cuja assinatura está prevista para sexta-feira (19/6) em Genebra, Suíça.
O preço do petróleo refletiu a tensão geopolítica: o barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 0,75%, a US$ 79,55, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), usado nos EUA, subiu 0,97%, a US$ 76,79.
No cenário doméstico, o mercado monitorou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB. Em abril, o índice subiu 0,52% na comparação mensal dessazonalizada, ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que era de 0,60%.
Para Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), o indicador ainda mostra uma ‘economia resiliente’. ‘O principal motor continua sendo a indústria, que teve desempenho forte no período, acompanhada pelos serviços, que sustentam a atividade’, afirma. ‘O agro também contribui, mas em menor intensidade.’
Spyer destaca ainda a revisão significativa do dado de março, que passou de uma queda de 0,67% para uma retração menor, de 0,18%, ‘suavizando a desaceleração observada’. A combinação de fatores externos e internos deve manter a volatilidade nos mercados nos próximos dias.
Fonte: Metrópoles























