O QUÊ?Em evento do G7, Lula afirma nunca ter sido esquerdista

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, durante um encontro informal no âmbito do G7, que nunca foi um político de esquerda. A fala ocorreu em uma conversa com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, antes de uma reunião oficial, sendo captada pela transmissão do evento.

Lula comentava sobre as transformações políticas globais e afirmou que a ascensão de partidos de direita não o surpreendia. Segundo ele, nos Estados Unidos, os republicanos governaram mais tempo que os democratas, o que demonstraria que o mundo não tende à esquerda, mas sim ao centro. “O mundo é do caminho do meio”, disse o presidente.

Georgieva, então, manifestou a expectativa de que Lula fosse um político de esquerda. Em resposta, o presidente recorreu a uma lembrança pessoal. Na década de 1980, durante uma viagem pela Europa em busca de solidariedade sindical, ele teria sido classificado como anticomunista. Lula explicou que, na época, tinha uma relação próxima com o sindicalismo alemão, mas foi acusado de anticomunismo por não ter ido a um congresso na Rússia, devido a condenações da lei de segurança nacional brasileira.

O presidente destacou que essa acusação não o abalava e que, ao contrário, se orgulhava de ser chamado de comunista. Em 2022, durante a abertura do Foro de São Paulo, Lula já havia dito que a ofensa não estava em ser chamado de comunista, mas sim de nazista, fascista ou terrorista. Na ocasião, ele afirmou que o título de comunista ou socialista lhe trazia orgulho.

Esta não é a primeira vez que o presidente é alvo de questionamentos sobre seu alinhamento ideológico. Na década de 1980, o empresário Emílio Odebrecht enfrentava uma greve em uma refinaria e, por sugestão do governador de São Paulo, Mário Covas, buscou diálogo com Lula, então um dos principais líderes sindicais do ABC paulista.

Antes de encontrá-lo, Odebrecht consultou Golbery do Couto e Silva, criador do Serviço Nacional de Informação (SNI) durante o regime militar. Golbery teria dito que Lula não era de esquerda, mas sim um “bon vivant”. Odebrecht concordou com a avaliação, descrevendo Lula como alguém que aprecia a boa vida, mas que se preocupa genuinamente com a população carente, sem defender a tomada de bens dos ricos para dar aos pobres.

A relação entre Lula e Odebrecht se estendeu por décadas e culminou em um dos maiores escândalos de corrupção do país, revelado pela Operação Lava Jato. Em depoimento, Odebrecht reafirmou a visão de que Lula não possui inclinação esquerdista.

O próprio presidente já fez elogios ao regime militar, especialmente ao governo de Emílio Garrastazu Médici, considerado o mais duro do período. Lula destacou a popularidade de Médici, atribuída ao “milagre brasileiro” dos anos 1970, e sugeriu que, se houvesse eleições na época, Médici venceria.

Essas declarações contrastam com a trajetória do Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por intelectuais e ex-guerrilheiros de esquerda radical, como José Dirceu e José Genoíno. A sigla também estabeleceu alianças com regimes autoritários de esquerda, como Cuba, sob Fidel Castro, e a Venezuela, sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

Lula teve participação ativa na criação do Foro de São Paulo, em 1990, que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe. O grupo foi formado após a queda do Muro de Berlim, com o objetivo de discutir a nova conjuntura internacional e articular ações conjuntas.

O Foro de São Paulo é conhecido por incluir ditaduras e governos investigados por corrupção, além de ter ligações com grupos armados, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Hugo Chávez, ex-presidente venezuelano, relatou ter conhecido Raúl Reyes, ex-comandante das FARC, durante uma reunião do Foro, em 1995.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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