A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25/6) a segunda fase da Operação Disclosure, que apura a fraude de R$ 25,2 bilhões na Americanas. Cinco executivos de grandes bancos se tornaram alvos da investigação: dois do Itaú, dois do Santander e um do Bradesco.
O grupo inclui Gustavo Balassiano, ex-executivo do Itaú BBA; José de Castro Araújo Rudge Filho, atual codiretor de infraestrutura do Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras, diretor do Bradesco; André Juaçaba de Almeida, vice-presidente do Santander; e Alexandre Abdo, que atua no Santander há 16 anos.
Os motivos da inclusão desses nomes não foram oficialmente divulgados. No entanto, em julho de 2023, a PF já havia enviado à Justiça um relatório relacionando bancos ao esquema. O documento sugeria que funcionários financeiros teriam sido cooptados para modificar documentos, garantindo a continuidade das irregularidades na varejista.
As fraudes estão ligadas principalmente às operações de “risco sacado”. Nesse mecanismo, o banco assume a dívida da empresa com fornecedores. Essas operações devem ser registradas no Banco Central e identificadas nas cartas de circularização, usadas por auditorias externas.
Segundo as investigações, a Americanas não expunha corretamente os dados dessas operações em seus balanços. Ex-executivos da empresa teriam convencido funcionários bancários a omitir essas informações das cartas de circularização.
A PF classificou essa conduta como uma prova da “audácia” do grupo criminoso. No relatório, os investigadores destacaram que a cooptação de funcionários bancários para alterar as cartas de circularização garantiu a continuidade das fraudes contábeis, impedindo a identificação pelas auditorias.
Os executivos alvo não estão ligados às operações rotineiras dos bancos, mas a áreas estratégicas. Gustavo Balassiano trabalhou por 11 anos no Itaú BBA e hoje está na XP Investimentos. José Rudge Filho codirige a área de infraestrutura do Itaú. Carlos Pedras tem 22 anos de Bradesco e integra o conselho da Alelo. André Juaçaba é vice-presidente de corporate banking no Santander. Alexandre Abdo gerencia setores como indústria e aviação no mesmo banco.
Os bancos se manifestaram sobre a operação. O Itaú afirmou que colabora com as autoridades desde 2023 e que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização. O Santander disse que está ao lado das partes prejudicadas e coopera com as investigações. Já o Bradesco limitou-se a dizer que acompanha o caso e fica à disposição.
A reportagem também tentou contato com os executivos citados, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. A Operação Disclosure continua em andamento, e novas fases podem revelar mais detalhes sobre o envolvimento de instituições financeiras na fraude bilionária.
Fonte: Metrópoles






















