CULTURAExposição de Tercília dos Santos apresenta arte naïf com reconhecimento internacional

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A exposição “A Cor do Saber e a Herança da Memória”, da catarinense Tercília dos Santos, está aberta ao público no hall da Assembleia Legislativa de Santa Catarina até o dia 2 de julho. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. A abertura oficial contou com a presença da artista na última segunda-feira, 22 de abril.

A mostra reúne trabalhos de diferentes fases da carreira de Tercília, conhecida por suas composições de cores vibrantes, figuras humanas estilizadas, cenas rurais e referências à memória afetiva e cultural brasileira. Suas obras abordam infância, coletividade, espiritualidade, educação, herança afro-brasileira e cotidiano popular, unindo simplicidade estética e forte potencial simbólico.

Nascida em 1953 no distrito de Uruguai, interior de Piratuba, Tercília construiu sua linguagem visual a partir das lembranças da infância no meio rural, em uma comunidade marcada pelo trabalho coletivo, manifestações culturais populares e ancestralidade afro-brasileira. Começou a pintar em 1990, após um sonho que a inspirou: “Eu tive um sonho com Jesus menino, e no dia seguinte decidi que seria pintora. Comprei tintas a óleo, mas borrava as telas porque pintava rápido”.

A artista recebeu apoio de nomes consagrados como Fernando Lindote e Janga, que a incentivaram a seguir. Autodidata, Tercília tornou-se uma das principais referências da arte naïf brasileira contemporânea. Suas telas retratam festas populares, religiosidade, trabalho no campo, infância, natureza e convivência comunitária, com forte intensidade cromática e narrativa afetiva.

Ao longo de mais de três décadas, consolidou uma produção marcada pelo uso expressivo da cor, figuras humanas estilizadas, pássaros, flores, caminhos e elementos da cultura popular. Sua pintura dialoga entre a arte popular, a experiência coletiva e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas.

Tercília participou de importantes mostras no Brasil e no exterior, como a Bienal Naïfs do Brasil (Sesc Piracicaba/SP), o Festival Internacional de Arte Naïf (Fian), além de exposições na Itália, França e Suíça. Recebeu prêmios como o Aquisição na 2ª Bienal Naïfs do Brasil (1994) e o Prêmio Divulgação na 4ª Bienal (1998), além de homenagens pelo conjunto de sua obra.

Entre suas exposições de destaque estão “Os Jardins da Infância” (Museu de Arte de Santa Catarina – Masc), “Herança Negra na Cultura Brasileira” (CIC/Florianópolis), “Encruzilhadas da Arte Afro-Brasileira” (CCBB São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte) e “Mamáfrica – Afinidades Africanas no Brasil e Cuba” (Caixa Cultural). Sua obra integra acervos públicos e coleções particulares no Brasil e no exterior.

Atualmente, Tercília mantém seu ateliê em São José, no bairro Forquilhinhas, onde continua produzindo e desenvolvendo pesquisa artística focada em memória, cultura popular e narrativas afro-brasileiras. Ela também foi selecionada por edital para expor na Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho em 2026. “Sou mais conhecida fora do que aqui. Ano passado, ganhei quatro prêmios em outros estados”, afirma a artista, que vê na exposição na Alesc uma chance de se tornar mais conhecida entre os catarinenses.

Fonte: Assembleia SC

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