Independentes já são 29% do eleitorado de Santa Catarina
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eleições catarinensesIndependentes já são 29% do eleitorado de Santa Catarina para 2026

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Um dado quase escondido entre os números para governador, senador e presidente talvez seja um dos mais importantes da primeira pesquisa Quaest sobre as eleições de 2026 em Santa Catarina: 29% dos catarinenses se classificam como eleitores independentes. São pessoas que não se identificam como lulistas nem bolsonaristas e que também rejeitam, quando questionadas sobre sua identidade política, o enquadramento tradicional entre esquerda e direita.

Na prática, são quase três em cada dez eleitores de Santa Catarina dizendo aos partidos que não querem ser automaticamente incorporados às duas principais forças que dominam a política brasileira. O percentual coloca o estado muito próximo do comportamento observado no país: na pesquisa nacional Genial/Quaest de agosto, os independentes representaram 32% do eleitorado brasileiro, enquanto em Santa Catarina o índice é de 29%, dentro da margem de erro.

A pesquisa catarinense foi encomendada pela NSC e ouviu 804 eleitores presencialmente entre 20 e 23 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Mas o que realmente importa para a análise política é o perfil desse eleitor: independente não significa necessariamente eleitor de centro. Segundo estudos da própria Quaest, quando se analisa o que esses eleitores efetivamente acreditam, a maior concentração aparece próxima à centro-direita.

Os independentes demonstram concordância com propostas normalmente associadas à esquerda, como manutenção do Bolsa Família, maior tributação dos mais ricos e redução da jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, aparecem próximos da direita em questões como privatizações, posições mais duras contra facções criminosas e resistência à abordagem de sexualidade nas escolas. Esse hibridismo ideológico torna o grupo mais complexo do que um simples rótulo.

Em Santa Catarina, o ambiente eleitoral em torno deles é claramente favorável à direita: Flávio Bolsonaro lidera para presidente com 45% das intenções de voto, Jorginho Mello aparece com 50% para o governo do estado, e nomes como Esperidião Amin, Carlos Bolsonaro e Carol De Toni estão à frente na corrida ao Senado. Isso torna plausível supor que uma parcela relevante dos independentes catarinenses possua valores conservadores ou de centro-direita, mesmo recusando a identidade bolsonarista.

A pesquisa também revela que independência política não significa rejeição absoluta dos polos: no cenário nacional, 33% dos independentes votariam em Lula e 30% em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, enquanto 29% não votariam e 8% permanecem indecisos. Ou seja, são eleitores menos previsíveis, sem vínculo identitário forte, que podem decidir a eleição. Em Santa Catarina, esses 29% representam um contingente grande demais para ser ignorado pelas campanhas.

O dado oferece uma leitura particularmente interessante sobre o estado: embora Santa Catarina seja um dos berços do bolsonarismo, quase um terço dos catarinenses prefere não carregar nenhuma dessas identidades políticas. Isso pode indicar um processo de descolamento entre ideias e lideranças, abrindo espaço para candidatos menos identificados com a polarização. O eleitor independente, como mostra a pesquisa, é um território valioso: vota por escolha, não por fidelidade.

Fonte: Redação

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