O senador Jaques Wagner (PT-BA) reconheceu publicamente que mantém uma relação de amizade com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (26), o parlamentar afirmou que o empresário o considera um amigo, mas negou que o vínculo tenha qualquer relação com as investigações da Polícia Federal sobre o caso Master.
Wagner explicou que conheceu Augusto Lima durante o processo de privatização da Cesta do Povo, na Bahia, e que a amizade se fortaleceu ao longo do tempo. O senador disse que a PF está tentando construir uma narrativa de irregularidade a partir desse relacionamento, mas sustenta que não houve troca de favores ou envolvimento comercial.
O parlamentar declarou que a PF alega que uma empresa de sua nora teria sido criada para beneficiá-lo, mas ele afirma não ter nenhuma ligação com o negócio. “Não tenho nada a ver com a empresa”, disse Wagner.
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e o sistema de crédito consignado Credcesta, implementado na Bahia durante seu mandato como governador.
Na entrevista, o senador disse que reclamou ao presidente Lula sobre o que chamou de “patacoada” da Polícia Federal. Ele criticou a divulgação de fotos de moedas estrangeiras apreendidas em seu apartamento em Brasília, durante a operação.
A PF apreendeu US$ 49 mil em um quarto de hotel utilizado por Wagner. Segundo ele, a exposição do dinheiro sobre a cama desrespeitou uma ordem de sigilo e discrição determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O senador classificou a conduta da PF como uma tentativa de “espetacularização” e comparou o caso à “reinvenção da Lava Jato”. Ele afirmou que abriram o envelope com suas diárias do Senado e colocaram o dinheiro sobre a cama para fotografar.
Wagner deixou a liderança do governo no Senado na quarta-feira (24), após reunião com Lula. O presidente questionou se ele conseguiria conciliar a defesa jurídica com as funções de líder, e o senador optou por se afastar para se dedicar a provar sua inocência e à articulação política para as eleições de 2026 na Bahia.
Para substituir Jaques, Lula designou a senadora Teresa Leitão (PT-PE). O anúncio foi feito na quinta-feira (25) nas redes sociais do presidente.
Lula afirmou que Teresa Leitão terá a missão de articular o debate e aprovação de projetos de interesse da população, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança.
Fonte: Jovem Pan



















