Imagens que circulam amplamente nas redes sociais mostram dezenas de marroquinos desembarcando nas praias de Ceuta, enclave espanhol no norte da África. A situação ganhou proporções alarmantes depois que o sistema judiciário espanhol alterou as regras para deportações rápidas de imigrantes.
Nos vídeos, é possível ouvir os recém-chegados gritando “Viva Espanha” assim que pisam na areia. Autoridades locais estimam que, nas últimas duas semanas, cerca de 300 pessoas oriundas do Marrocos tenham chegado diariamente por via marítima.
Ceuta é um território autônomo situado na costa norte-africana, sendo uma das poucas fronteiras terrestres da União Europeia no continente. Por essa razão, a cidade se consolidou como rota frequente para migrantes que buscam acesso ao bloco europeu.
Nas últimas semanas, o cenário se deteriorou de forma acelerada. O número de entradas irregulares já se aproxima de 2 mil indivíduos. As filmagens exibem grupos inteiros alcançando a praia de Tarajal com o auxílio de boias, nadadeiras e roupas de borracha.
Em determinados momentos, os agentes da Guarda Civil espanhola não conseguiram conter o fluxo. O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou que o aumento das chegadas provocou o colapso da capacidade de atendimento local.
O centro de acolhimento para imigrantes opera acima de sua lotação máxima há vários dias, enquanto centenas de pessoas aguardam por assistência. As autoridades espanholas apontam que redes criminosas de tráfico humano estariam incentivando essas travessias.
Segundo o Ministério do Interior, essas organizações passaram a explorar uma decisão judicial que complicou a devolução imediata de imigrantes interceptados após entrarem pelo mar. Há três semanas, o Supremo Tribunal da Espanha proibiu a repatriação de pessoas que conseguem entrar em Ceuta e Melilla nadando, desde que não rompam fisicamente a cerca da fronteira.
Com isso, muitos dos que chegam pelo mar deixam de se enquadrar no mecanismo de rejeição imediata, o que torna o processo de devolução mais lento e burocrático. Diante da pressão migratória, o presidente de Ceuta pediu ao governo central, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, que decretasse estado de emergência nacional.
Além disso, solicitou o envio de mais recursos para a cidade. O governo espanhol recusou o pedido, argumentando que a legislação do país não prevê esse tipo de mecanismo para crises migratórias. Enquanto isso, Madri e Rabat anunciaram um novo acordo para acelerar a devolução dos migrantes.
Em comunicado conjunto, Espanha e Marrocos afirmaram que vão reforçar a coordenação bilateral e revisar os procedimentos para permitir o retorno imediato das pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta. A cooperação será feita por canais oficiais para agilizar a identificação e a entrega dos migrantes às autoridades marroquinas. Apesar do anúncio, ainda não foi divulgado um calendário para a implementação das novas medidas.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias

























