Integrantes do Partido dos Trabalhadores avaliam que as transferências feitas pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de Gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, representam um inconveniente, mas não veem risco de dano à campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação deles, a exibição dos comprovantes do empréstimo deve encerrar a questão.
Há o entendimento de que o eleitor vai observar as atitudes do presidente e que ele não será responsabilizado por ações de terceiros, como o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ou de assessores. Os aliados também saem em defesa de Marcola, afirmando que ele nunca se envolveu em irregularidades e que sua resposta foi esclarecedora.
Procurado, o PT informou que não se manifestaria oficialmente. Washington Quaquá, vice-presidente da sigla, minimizou o caso nesta terça-feira (4 de agosto de 2026), ao ser questionado pelo Poder360 sobre eventual impacto na campanha. Ele disse: “Conheço Marcola e ele sempre foi um cara leal ao presidente Lula, sério e discreto. Não vejo a mínima possibilidade de ele estar envolvido com qualquer ilicitude.”
Quaquá acrescentou que no Brasil as pessoas são julgadas publicamente sem direito de defesa e que, depois de muito tempo, provam sua inocência, mas já com a vida e a reputação arruinadas. Para ele, não faz sentido que uma “bobagem” dessa atrapalhe a campanha, e os candidatos deveriam rejeitar essas hipocrisias.
Marcola, que acompanha Lula há anos, era o responsável por atender as ligações destinadas ao presidente antes mesmo da eleição de 2022. Banqueiros, empresários e até amigos precisavam falar com ele para conseguir contato com Lula. Havia uma relação de confiança total entre os dois.
Em 21 de julho, foi anunciado que Marcola deixaria a chefia de Gabinete para integrar a coordenação da campanha. Ele cuidava da agenda presidencial. Agora, ele fará a ponte com a coordenação de campanha, sob o comando de Gilberto Carvalho, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência.
Marcola é casado com Nicole Briones, responsável pelas redes sociais do PT e que também administra os perfis de Lula ao lado do fotojornalista Ricardo Stuckert.
O PL, partido do candidato Flávio Bolsonaro, deve solicitar ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar o caso e pedir a quebra de sigilo de Marcola. A legenda quer apurar a origem e a finalidade das transferências.
Roberta Luchsinger fez pagamentos a Marcola. O valor total não foi divulgado, mas estima-se que esteja em torno de R$ 80 mil. Marcola foi chefe de Gabinete entre janeiro de 2023 e 31 de julho de 2026. As informações sobre as transferências estão com a Polícia Federal.
O Poder360 confirmou a existência das transferências com quatro pessoas próximas ao assunto. Marcola afirmou que se trata de um “empréstimo pessoal” e que não há nada ilegal, mas não informou o montante. Roberta, por meio de seu advogado, disse que prestará esclarecimentos nos autos do inquérito.
Roberta aparece em investigação sobre fraudes na Previdência Social e tem amizade próxima com Lulinha. Em maio de 2026, ela declarou que apresentou Lulinha ao Careca do INSS por “boa educação” e negou qualquer intermediação de negócios. Mensagens obtidas na operação Sem Desconto revelam conversas entre os dois sobre operações comerciais e até sobre guardar dinheiro no exterior.
O Poder360 noticiou em dezembro de 2025 que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS. Ele é alvo de três inquéritos, incluindo um por tráfico de influência. Outros veículos da imprensa também já repercutiram o caso.
O advogado de Roberta, Roberto Podval, afirmou que responderá a todas as questões nos autos, mas que até agora não teve acesso ao inquérito. Marcola, por sua vez, disse que recebeu com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal como algo ilegal, e garantiu que nunca teve qualquer relação que caracterize ilicitude no exercício de sua função.
Fonte: Poder360

























