DESVIO MILIONÁRIOPF aponta vazamento interno na Justiça em golpe de R$ 45 mi contra clientes da Caixa

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A Polícia Federal concluiu que uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contou com informações privilegiadas vindas de dentro do sistema judicial para agir contra clientes da Caixa Econômica Federal. O grupo, que atuava em pelo menos dois estados, teria causado prejuízos estimados em R$ 45 milhões, afetando diretamente titulares de contas de FGTS e do auxílio emergencial.

Segundo os investigadores, parte considerável do dinheiro subtraído das vítimas era aplicada em um estilo de vida de alto padrão, com viagens, bens de luxo e investimentos em criptomoedas, além de tentativas de ocultação de patrimônio em paraísos fiscais. A intenção era dificultar o rastreamento e a recuperação dos valores pelas autoridades.

O prejuízo não se limitou a números: muitas pessoas que tiveram suas contas invadidas ficaram sem condições de arcar com necessidades básicas, como compra de medicamentos e alimentos. A PF registrou relatos de vítimas que tiveram que sacrificar itens essenciais após o golpe.

A estrutura da quadrilha foi dividida em dois núcleos de atuação. Em São Paulo, o casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa era apontado como o cérebro das operações, responsável por acessar as contas das vítimas e coordenar as transferências. Eles criaram uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, jurisdição conhecida por sua política de sigilo, na tentativa de blindar os ativos obtidos ilicitamente.

No Rio de Janeiro, a liderança era exercida por Jader Henrique Areas de Almeida, que determinava quando e como os golpes seriam executados. Cabia a ele validar as ações, estipular as datas e repassar os dados das vítimas aos demais integrantes. Para dar suporte logístico, Enzo Grillo Filho atuava como operador financeiro, fazendo a intermediação do dinheiro entre as duas praças.

O que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de os criminosos terem tido acesso à íntegra da decisão judicial que autorizou a operação contra eles. O documento, protegido por segredo de justiça, só poderia ser consultado por juízes, servidores e partes diretamente envolvidas no processo, mas apareceu no celular do chefe da quadrilha.

Em uma conversa encontrada pela PF, Jader Almeida encaminha o texto sigiloso para um comparsa, que reage com surpresa e sugere medidas para proteger o patrimônio. A troca de mensagens reforçou a suspeita de que havia uma fonte interna na Justiça abastecendo o grupo com informações sensíveis.

Após essa descoberta, a investigação mudou de foco: em vez de apenas desmantelar a quadrilha, os agentes passaram a rastrear o caminho percorrido pelo documento até chegar às mãos dos criminosos. O primeiro acesso identificado foi feito por Jackson Cozendey, servidor da Justiça Federal, que, segundo a PF, não tinha atribuição legal para consultar aquele processo.

A corporação aponta que Cozendey teria sido o responsável por vazar o material para o grupo, recebendo compensações financeiras em troca. As evidências mostram que ele utilizou uma conexão de internet instalada no escritório de advocacia de sua esposa, Gabrielle Cozendey, para fazer as consultas irregulares.

Gabrielle, que declarava renda mensal de cerca de R$ 5,2 mil, movimentou em um único semestre aproximadamente R$ 1,74 milhão, um valor incompatível com sua renda oficial. Esses dados reforçam a suspeita de que o casal estivesse envolvido no esquema de venda de informações sigilosas.

Os advogados de Jackson e Gabrielle negaram qualquer participação nos fatos, afirmando que eles não têm ligação com o processo investigado. Por outro lado, os representantes legais dos demais envolvidos, como Matheus, Isabely e Jader, não responderam aos pedidos de manifestação. A equipe de defesa de Enzo também não foi localizada para comentar o caso.

Autoridades policiais e do Ministério Público Federal optaram por não conceder entrevistas, mas fontes informaram que novos mandados de busca e apreensão estão sendo solicitados à Justiça Federal, possivelmente com alvos internos do próprio tribunal. O órgão, procurado, não emitiu posicionamento oficial sobre o andamento das investigações.

O caso corre sob segredo de justiça, mas a PF já considera que há indícios sólidos de participação de servidores na rede de vazamento. As medidas em curso buscam aprofundar as apurações e identificar outros possíveis envolvidos, além de reforçar a segurança de informações protegidas por lei.

O impacto desse tipo de violação vai além do dano financeiro: compromete a credibilidade das instituições e expõe a vulnerabilidade de dados sensíveis. A expectativa é que os responsáveis, tanto os executores dos golpes quanto os colaboradores internos, sejam responsabilizados na Justiça.

Fonte: G1

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