O reconhecimento da China de que o Brasil está livre da febre aftosa tem potencial para acelerar os trâmites de certificação e liberação de plantas frigoríficas brasileiras para vender carne bovina ao maior importador mundial do item. A análise é de Welber Barral, que atuou como secretário de Comércio Exterior e hoje é consultor em comércio internacional, durante entrevista à CNN Agro News.
Conforme Barral, a decisão chinesa ocorre na esteira da declaração oficial do Brasil como território livre da doença, status que já havia sido reconhecido por outras nações, especialmente na África e no Oriente Médio. Ele classifica o movimento como significativo para o setor.
O especialista ressalta que a China é a principal compradora de carne bovina brasileira e que o aval sanitário simplifica os processos burocráticos necessários para que mais empresas possam exportar para aquele mercado. Isso tende a elevar o volume embarcado.
Barral aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste podem ser as mais beneficiadas, pois antes apenas Santa Catarina detinha o reconhecimento internacional de área livre da doença sem necessidade de vacinação. Agora, outros estados ganham oportunidade de ingressar no comércio exterior de carne bovina.
O ex-secretário prevê que outros países também devem reconhecer o novo status sanitário brasileiro, ampliando as possibilidades de negócio. No entanto, ele lembra que a China impõe cotas para as compras de carne bovina do Brasil.
Dados citados por Barral indicam que, em 2023, a China importou mais de 1,6 milhão de toneladas do produto brasileiro. Para 2024, a cota estabelecida é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. Ele alerta que, com a capacidade produtiva do Brasil, essa cota pode ser atingida antes do meio do ano.
O consultor também destaca que o reconhecimento sanitário pode abrir portas em outros mercados asiáticos, onde o aumento da renda e do consumo de proteínas impulsiona a demanda. A remoção de barreiras sanitárias reduz entraves que limitavam as exportações brasileiras.
Barral defende a estratégia de diversificar os destinos das vendas externas de carne bovina. Segundo ele, ampliar a carteira de clientes ajuda o setor a sustentar os patamares de exportação mesmo diante de restrições impostas por alguns compradores.
Sobre as limitações chinesas, o especialista afirma que elas não são direcionadas exclusivamente ao Brasil. A China enfrenta pressões de seus produtores locais, que não são competitivos, e por isso adota medidas tarifárias e não tarifárias para controlar as importações.
Ele conclui que o protecionismo chinês é um fenômeno normal no comércio internacional e que o importante é monitorar as barreiras, defender os interesses brasileiros e comprovar a qualidade e a segurança sanitária da carne produzida no país.
Fonte: CNN Brasil























