O candidato à presidência do Peru Roberto Sánchez, da legenda Juntos por el Perú, propôs nesta sexta-feira (12) que ele e sua adversária Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, solicitem juntos uma recontagem dos votos do pleito presidencial. Em declarações à imprensa, o político de esquerda afirmou que a medida é fundamental para “dar certeza ao país”.
Sánchez argumentou que ambos os lados somam cerca de nove milhões de votos cada, o que torna legítimo o pedido de Keiko por um diálogo em prol da transparência e do respeito ao processo. “Podemos dizer que nove milhões estão lá e nove milhões estão aqui. Por isso, a senhora Keiko Fujimori tem razão ao nos convidar para um diálogo, para um consenso, para um respeito sagrado à legitimidade e à transparência do processo”, declarou.
Com 98,27% das urnas apuradas, a candidata conservadora lidera a corrida presidencial peruana. Keiko acumula 9.037.650 votos, equivalentes a 50,004% do total, enquanto Sánchez soma 9.036.099 votos, ou 49,996%. A diferença entre os dois é de apenas 1.551 votos.
O candidato esquerdista também revelou que o Fuerza Popular solicitou a anulação de votos provenientes do sul do Peru, região onde ele tem mais apoio. Em contrapartida, o Juntos por el Perú contesta os resultados na capital Lima e no exterior, áreas onde Keiko obteve melhor desempenho.
“Nesse sentido, estou convencido de que esta ação conjunta, independentemente de quem ganhe como resultado do processo, com zero controvérsia, total transparência da ata colocada diante dos olhos dos 35 milhões de peruanos de forma inquestionável, sejamos capazes de dar estabilidade e certeza ao Peru”, afirmou Sánchez.
No sistema eleitoral peruano, representantes partidários, inspetores do Conselho Nacional Eleitoral (JNE) e do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) podem contestar as atas de apuração. No primeiro turno das eleições presidenciais, o órgão eleitoral recebeu 5.919 documentos para recontagem, o que atrasou a divulgação dos resultados.
Ainda na sexta-feira, o JNE considerou “inadmissível” o pedido do Juntos por el Perú para anular 1.751 seções eleitorais em Lima. O conselho informou que a legenda não comprovou o pagamento de aproximadamente 2,41 milhões de sóis exigidos para a solicitação. O partido alegou evidências de fraude e adulteração de registros, apontando que seções com o mesmo número total de votos indicariam falsificação “sistemática e coordenada” das atas, segundo o representante Carlos Adebál Zafra Flores.
Fonte: Jovem Pan























