Joinville foi palco, nesta sexta-feira (19), do Seminário Estadual sobre Obesidade Mórbida: Prevenção, Tratamento e Qualidade de Vida. Realizado na Faculdade Censupeg, o encontro contou com a participação de profissionais da saúde, pacientes, familiares, especialistas e representantes do poder público. A iniciativa foi do deputado Maurício Peixer (PL), por meio da Comissão de Saúde e da Escola do Legislativo, em parceria com a Associação de Obesos e Submetidos à Cirurgia Bariátrica de Joinville e Região (Assobesimor), com o intuito de aprofundar o debate sobre o enfrentamento da obesidade mórbida em Santa Catarina.
Na programação, especialistas apresentaram e analisaram diversas abordagens terapêuticas, com ênfase na cirurgia bariátrica, na cirurgia plástica reparadora para pacientes que perderam muito peso e no uso de medicamentos injetáveis, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, no combate à obesidade e ao diabetes. Os participantes também destacaram que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que demanda acompanhamento multidisciplinar e políticas públicas focadas na prevenção e no acesso ao tratamento.
Um dos momentos centrais foi a mesa-redonda que tratou a obesidade mórbida como um problema de saúde pública, abordando as dificuldades enfrentadas pelos pacientes e a necessidade de aperfeiçoar as medidas preventivas e o atendimento no sistema de saúde. O seminário foi encerrado com a defesa da importância do diálogo entre especialistas, gestores e sociedade civil para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com obesidade mórbida.
O deputado Maurício Peixer (PL) enfatizou a necessidade de expandir a discussão sobre o tema e buscar soluções para o atendimento dos pacientes, defendendo maior acesso desde a informação até os tratamentos e as cirurgias reparadoras. Ele explicou que o processo bariátrico compreende três fases: preparação do paciente com suporte psicológico e nutricional, realização da cirurgia e recuperação, que pode incluir procedimentos reparadores.
O deputado Neodi Saretta (PT) salientou a relevância do seminário para a prevenção e o cuidado com a saúde, ressaltando a importância de ampliar o acesso à informação, ao tratamento e às cirurgias reparadoras. Ele afirmou que o encontro buscou aproximar a Comissão de Saúde e fortalecer ações educativas, como seminários e eventos voltados à orientação da população e dos profissionais de saúde.
O cirurgião plástico Lucas Rodrigues de Souza sublinhou a importância de debater a cirurgia plástica reparadora e seu impacto emocional nos pacientes. Segundo ele, não é possível separar completamente os aspectos reparadores e estéticos, pois ambos se complementam. O médico explicou que, mesmo na cirurgia reparadora, há um forte componente relacionado à autoestima e à qualidade de vida. O objetivo do procedimento é remover o excesso de pele após grande perda de peso, proporcionando mais conforto, segurança e reintegração social.
De acordo com a médica Tanise Balves Damas, a obesidade tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais, metabólicos e comportamentais, além de influências do estilo de vida e da alimentação. Hormônios e neurotransmissores como leptina, grelina, insulina, GLP-1, dopamina e serotonina atuam na regulação do apetite e do peso corporal. O aumento dos casos está associado a mudanças alimentares, maior consumo de ultraprocessados e envelhecimento da população. O diagnóstico é feito pelo Índice de Massa Corporal (IMC): até 25 é considerado adequado; de 25 a 29,9, sobrepeso; acima de 30, obesidade, classificada em graus 1, 2 e 3. Em 2025, o Conselho Federal de Medicina ampliou as indicações da cirurgia bariátrica para pacientes com IMC a partir de 30 com comorbidades e reduziu a idade mínima para 16 anos.
O cirurgião do aparelho digestivo Rafael Selbach esclareceu que a cirurgia bariátrica não é indicada apenas para obesidade mórbida. Pacientes com obesidade associada a doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, doenças hepáticas, infertilidade e refluxo também podem ser candidatos. Ele destacou que as diretrizes atuais permitem a cirurgia para pacientes com IMC entre 30 e 34,9 quando há doenças graves relacionadas ao excesso de peso. “Não devemos esperar que a pessoa chegue à obesidade mórbida para indicar o tratamento.” Entre as contraindicações estão alto risco anestésico, comprometimento cognitivo que dificulte os cuidados pós-operatórios e dependência ativa de álcool ou drogas. Selbach ressaltou ainda que o sucesso da cirurgia depende do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Ele também destacou que não há mais exigência de tempo mínimo convivendo com a obesidade e que pacientes acima de 65 anos podem ser operados, desde que apresentem boas condições clínicas.
Fonte: Assembleia SC




















