O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou ao Congresso norte-americano uma comunicação formal informando que as ações militares contra o Irã foram retomadas a partir de 7 de julho. A informação foi divulgada pela agência Reuters, que teve acesso ao documento datado de 10 de julho.
Com o envio da notificação, a Casa Branca considera ter reiniciado o prazo de 60 dias para uso de força militar no Oriente Médio sem necessidade de autorização do Legislativo. Em junho, o Congresso havia aprovado uma resolução que proibia novos ataques ao Irã sem aprovação parlamentar.
Na carta, Trump justifica a decisão com base em sua responsabilidade constitucional de proteger os cidadãos americanos e os interesses de segurança nacional. O texto detalha que a ordem de cessar-fogo em 7 de abril, inicialmente prevista para duas semanas, foi estendida, mas que os esforços diplomáticos não impediram novas agressões.
O presidente também menciona o acordo de paz preliminar assinado com o Irã em 17 de junho, afirmando que o regime iraniano violou o memorando ao atacar embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Como resposta, determinou a retomada dos bombardeios.
Trump anunciou que os Estados Unidos restabelecerão o bloqueio naval à navegação iraniana no Golfo Pérsico a partir de 14 de julho. Para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz, será cobrada uma taxa de 20% sobre a carga dos navios comerciais que utilizarem a rota.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, com bombardeios conjuntos de EUA e Israel contra território iraniano. A Constituição americana atribui ao Congresso o poder de declarar guerra, mas presidentes historicamente reivindicam autoridade para ações militares de curta duração sem aval legislativo.
Em junho, o Congresso aprovou uma resolução inédita limitando novos ataques de Trump ao Irã. A Câmara e o Senado votaram pelo fim do conflito e pela proibição de retomada unilateral. Embora não sancionada pelo presidente, a medida teve caráter simbólico e aumentou a pressão política em meio à impopularidade da guerra devido aos impactos econômicos internos.
Trump criticou a decisão dos parlamentares, afirmando que ela dificultava seu trabalho, mas declarou que alcançaria seus objetivos independentemente. A Lei dos Poderes de Guerra exige que o presidente informe o Congresso em até 48 horas após o início das hostilidades e determina o encerramento de ações não autorizadas em 60 dias.
O primeiro prazo de 60 dias expirou em 1º de maio, mas Trump manteve o conflito sob o argumento de que as hostilidades haviam cessado formalmente e que apenas ataques esporádicos e o bloqueio naval continuavam. Críticos democratas e republicanos contestaram essa interpretação.
Um assessor democrata da Câmara, em condição de anonimato, afirmou que o presidente não pode ignorar meses de guerra que ele mesmo disse que durariam de quatro a seis semanas. As resoluções aprovadas no mês passado instruíram Trump a retirar as forças americanas do conflito, refletindo a preocupação com a duração da guerra.
Trump reagiu com irritação às votações, acusando os opositores de dar conforto ao Irã e de tornar seu trabalho mais difícil. O cenário evidencia o embate entre os poderes Executivo e Legislativo sobre a condução da política externa e o uso da força militar.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, tornou-se novamente foco de tensão, com a imposição de pedágio e o bloqueio iraniano à navegação. Especialistas alertam para riscos de escalada regional e impactos no mercado global de energia.
Diplomatas avaliam que a decisão de Trump pode isolar ainda mais os EUA no cenário internacional, enquanto o Irã promete retaliar as novas medidas. A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Fonte: G1


























