O setor de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiro enfrenta um momento de retração, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em abril, a receita líquida total das vendas atingiu R$ 4,2 bilhões, valor 22,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.
No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o faturamento soma R$ 17 bilhões, o que representa uma queda de 17,9% em relação ao período equivalente do ano anterior. A Abimaq destaca que os resultados de abril reforçam que a melhora observada em março não foi suficiente para alterar a trajetória de declínio do setor.
Segundo a entidade, o segmento continua operando sob forte restrição no mercado doméstico, com baixa confiança para novos investimentos e pressão competitiva externa crescente. A associação aponta três movimentos simultâneos: enfraquecimento da demanda interna, crescimento das exportações e perda contínua de participação da indústria nacional.
No segmento de tratores, as vendas ao consumidor final totalizaram 3,6 mil unidades em abril, queda de 4,2% na comparação anual. Já as comercializações diretamente de fábrica foram de 3,6 mil unidades, recuo de 14,7% frente a abril de 2025.
As colheitadeiras apresentaram desempenho ainda pior: as vendas ao consumidor atingiram 176 unidades, uma redução de 33,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As vendas de fábrica somaram apenas 54 unidades, queda expressiva de 41,3%.
Em contrapartida, as exportações de máquinas agrícolas registraram alta. No mês, os embarques somaram US$ 160 milhões, aumento de 18,8% ante abril de 2025. No acumulado do ano, a receita com exportações chega a US$ 583 milhões, crescimento de 20,1%.
Foram exportados 495 tratores em abril, alta de 54,2% na comparação anual, enquanto as colheitadeiras embarcadas somaram 27 unidades, expansão de 50%. No total do setor de máquinas e equipamentos, as exportações cresceram 41,7% no mês, para US$ 1,47 bilhão.
A Abimaq ressalta que parte desse avanço decorre de uma base de comparação muito baixa no início de 2025, especialmente em relação aos Estados Unidos. A demanda doméstica enfraquecida afeta segmentos mais dependentes de crédito, e o aumento das exportações ainda não compensa a retração do mercado interno.
Os dados de abril confirmam que a melhora observada em março foi temporária. O consumo aparente de máquinas e equipamentos caiu 20,6% na comparação anual, para R$ 27,76 bilhões. A receita líquida das vendas do setor como um todo atingiu R$ 21,3 bilhões em abril, queda de 3,9% ante março e retração de 14,9% na base anual.
No acumulado de janeiro a abril, a queda acumulada é de 12%, e o indicador em 12 meses passou a registrar recuo de 0,7%. A Abimaq considera esse dado um sinal importante de que a desaceleração deixou de ser marginal e passou a contaminar o desempenho agregado do setor.
O principal vetor dos resultados negativos é o mercado interno, que concentra a retração dos investimentos ligados à agricultura e à indústria de transformação. Os segmentos mais dependentes de crédito sofrem com o ambiente restritivo e juros elevados.
Para a associação, a persistência da política monetária restritiva gera efeitos cumulativos sobre a atividade, deteriorando a capacidade de investimento das empresas e aumentando a cautela nas decisões. Em março, a queda nas aquisições de máquinas nacionais foi compensada pelo aumento das importações, mas em abril tanto as máquinas nacionais (-26,6%) quanto as importadas (-13,5%) apresentaram recuo.
O resultado indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo e descreve um cenário de menor atividade produtiva nacional. A perda de participação da indústria brasileira persiste mesmo em um ambiente de desaceleração econômica.
Fonte: CNN Brasil























