AGRONEGÓCIOMercado de arroz retraído no Brasil, mas cenário global melhora

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O mercado brasileiro de arroz segue com ritmo comercial reduzido, sem liquidez expressiva e com poucas referências de preço. Produtores e compradores mantêm postura cautelosa diante do excesso de oferta e da dependência de exportações para equilibrar o setor. A avaliação é da consultoria Safras & Mercado.

Segundo Evandro Oliveira, analista da empresa, o clima predominante é de espera entre os agentes. Compradores e vendedores não encontram estímulos para fechar negócios, aguardando sinais mais claros do mercado.

O grande desafio atual é a absorção dos estoques remanescentes da safra recém-colhida. O volume interno de arroz disponível continua alto, pressionando a cadeia a buscar o mercado externo para aliviar a oferta.

Embora as exportações estejam em andamento, o ritmo não é suficiente para reduzir de forma significativa a quantidade do cereal em armazéns. Especialistas apontam que a aceleração das vendas externas é crucial para a retomada de preços mais atrativos.

Um fator que dificulta essa saída é o comportamento do câmbio. O dólar perdeu força recentemente, voltando a operar próximo de R$ 5,00. Essa desvalorização reduz a competitividade do arroz brasileiro no exterior e enfraquece a paridade de exportação.

Em um momento em que o setor precisa ampliar embarques, o recuo da moeda americana representa mais um obstáculo. A cadeia produtiva observa com atenção as oscilações cambiais para planejar suas estratégias.

Enquanto o cenário doméstico é de dificuldades, o mercado internacional apresenta sinais mais promissores. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou em junho um relatório com revisões que indicam aperto na oferta global.

Os dados mostram uma redução de 3,53 milhões de toneladas na produção mundial de arroz beneficiado. Além disso, a área cultivada global caiu 1,51 milhão de hectares, e os estoques finais diminuíram. O consumo, por outro lado, se mantém em níveis recordes.

Essas informações reforçam a percepção de que o mercado internacional terá menor folga entre oferta e demanda na temporada 2025/26. Apesar de os estoques globais ainda serem considerados confortáveis, a tendência é de contração.

Isso fortalece a expectativa de um ambiente mais favorável para a sustentação dos preços internacionais nos próximos meses. O aperto gradual da oferta pode beneficiar exportadores brasileiros, se o câmbio colaborar.

No Rio Grande do Sul, maior estado produtor, as cotações seguem pressionadas. A saca de 50 kg de arroz em casca (com 58% a 62% de grãos inteiros) foi cotada a R$ 58,79 no último levantamento.

O valor representa queda de 0,37% na comparação semanal, recuo de 3,54% no mês e desvalorização de 13,03% em relação ao mesmo período de 2025. Os números refletem a dificuldade de absorver a oferta disponível.

Para os agentes do setor, a combinação de redução da oferta mundial, estoques globais menores e consumo crescente pode criar um cenário mais positivo nos próximos meses. No Brasil, porém, a recuperação depende do avanço das exportações.

O câmbio e a capacidade de escoamento dos excedentes continuam sendo variáveis determinantes. Enquanto esses fatores não apresentarem mudanças consistentes, o mercado deve seguir com baixa liquidez, negociações pontuais e atenção redobrada ao cenário internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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