A indústria cafeeira dos Estados Unidos reconhece que depende integralmente da produção brasileira, sem qualquer alternativa viável que possa replicar o volume, a qualidade e a competitividade do grão nacional. A posição foi defendida por Bill Murray, presidente da Associação Nacional do Café dos EUA, ao comentar os resultados da articulação diplomática e comercial que resultou na remoção de tarifas sobre o café do Brasil, conforme divulgado pela CNN Brasil.
Em entrevista durante o evento Vitória Coffee Summit, realizado no Espírito Santo, o executivo afirmou que as negociações conduzidas por representantes dos dois países demonstraram ao governo norte-americano a impossibilidade de suprimir o fornecimento brasileiro do seu mercado. Segundo ele, nenhum outro país possui a combinação de eficiência, qualidade e escala apresentada pelos produtores do Brasil. “Não há outro lugar no mundo capaz de ocupar esse espaço. Não existe substituto para o café brasileiro”, enfatizou.
As declarações acontecem após intenso período de negociações lideradas pela cadeia produtiva para garantir a isenção do produto diante das medidas protecionistas adotadas pela administração de Donald Trump. A partir de agosto de 2025, as exportações de café do Brasil para os EUA passaram a ser submetidas a uma taxação total de 50%, composta por uma tarifa básica de 10% e uma sobretaxa adicional de 40%.
A cobrança vigorou por quase quatro meses, provocando efeitos imediatos no comércio bilateral. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, entre agosto e novembro de 2025, o volume de café embarcado para os EUA caiu 54,9% na comparação com igual período do ano anterior, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas.
Diante do cenário desfavorável, Cecafé, Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) uniram esforços com a Associação Nacional do Café dos EUA e importadores norte-americanos. A mobilização envolveu mais de 100 reuniões com os departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos EUA, além do Escritório do Representante Comercial (USTR).
Em novembro do ano passado, o governo americano atendeu aos apelos da indústria e retirou a sobretaxa extra que incidia sobre os cafés verde, torrado e moído, mantendo a tarifação sobre o solúvel. O quadro avançou novamente em julho deste ano, quando o USTR excluiu os cafés brasileiros, incluindo o solúvel não aromatizado, das taxas de 25% e 12,5% previstas na Seção 301, garantindo a isenção de novas sobretaxas para toda a pauta cafeeira nacional.
Nas audiências públicas realizadas em Washington, Murray destacou os prejuízos que as tarifas causariam também à economia dos EUA, lembrando que mais de 2,2 milhões de empregos americanos estão ligados à cadeia do café. No ano passado, o Brasil respondeu por 19% do total do valor importado pelos EUA.
Para a entidade americana, a tentativa de diversificar fornecedores com Colômbia e Vietnã esbarra em limitações de escala e eficiência desses países. “Dependemos uns dos outros. O Brasil precisa dos EUA e os EUA precisam do Brasil. O mercado de café não existe sem o café brasileiro”, reforçou Murray.
O dirigente ponderou que, apesar da tendência global de aumento do protecionismo e das barreiras comerciais, o café deveria ser tratado como uma exceção. Ele ressaltou que, embora o livre comércio já não seja um consenso, há argumentos fortes para que o café continue circulando sem restrições, tanto para produtores quanto para importadores. “Estamos em um mundo diferente, mas o café ocupa um lugar especial nesse cenário”, concluiu.
Fonte: Brasil 247

























